"...Não há como chamar a direita e a extrema-direita antidemocrática pelo mesmo nome. Os dois fenômenos são distintos,jamais poderiam ter se embaralhado no discurso jornalístico. A direita valoriza o respeito às instituições republicanas, enquanto a extrema direita antidemocrática não hesita em conspirar a alternância no poder. A primeira preza a urbanidade e a convivência pacífica; a segunda hostiliza a dissidência e autoriza a violência.Uma coisa não é igual à outra,mas infelizmente, uma parte considerável do discurso jornalístico as igualou.
A chapa de Flavio (Zero 1) não era, nunca foi e jamais poderia ter sido tratada como se fosse uma composição de direita,pois nunca se pautou pelos princípios liberais ou pela sobriedade conservadora. Longe disso, tinha origem na celebração do golpe de 1964, na idolatria de torturadores, no culto das garruchas (de preferência desviadas das Forças Armadas) e no obscurantismo. Por definição, era uma anormalidade política - anormalidade que, aoser chamada candidamente de "direita", saiu por aí desfilando com uma roupagem semântica de normalidade.
Foi então que, de repente, não menos qie de repente, a retórica da normalidade foi varrida pelos ventos factuais. A coisa não cabia mais nopróprio nome, o fato escapou ao relato e o objeto discrepou do conceito. Com a terminologia que dava ao aberrante um aspecto benigno de eventualidade cotidiana, não haviacomo demonstrar o que levou tanta gente identificada com a direita a recusar seu voto para Flávio Zero 1.
Foi um tropeço, um descuido, uma imprecisão. Se as redações,desde o início, tivessem chamado a extrema direita antidemocrática pelo seu nome devido, seu nome objetivo, a explicação teria sido mais fácil ou menos óbvia.
A designação irrefletida - e incorreta - trouxe um segundo desvio: a tentativa de tratar como simétricas as duas candidaturas que disputavam o segundo turno.Entre ambas, contudo, não havia nenhuma homologia, nenhuma paridade. Uma a de Lula, apesar de todos os defeitos, tinha compromisso provado e já testado com as instituições democráticas e com respeito à justiça. A outra desdenhava dos ordenamentos do Estado de Direito. As duas eram de natureza distintas. Por sorte, ou milagre, o eleitorado, intuitivo enxergou a distinção de natureza. Uma boa parte do jornalismo não viu até agora. "
Eugênio Bucci
Viver é Perigoso

4 comentários:
Os quase 60 milhões de brasileiros que optaram pelo candidato derrotado na eleição à Presidência tiveram seus votos inutilizados por ele. Em suma, foram feitos de palhaços.....
O senador em fim de mandato junta-se ao irmão deputado cassado e demais foragidos da Justiça homiziados nos Estados Unidos, para de lá viver a ilusão de ser "o verdadeiro presidente eleito", o "líder do Brasil" ao molde de um perseguido político que, na realidade, é um investigado por crimes comuns.
A direita que foi até a boca da urna não chorou no velório. Todos os partidos, inclusive o PL do senador ora iludido, deixaram-no berrando sozinho. .... Ao autoproclamado líder da oposição, no momento faltam liderados...... Dora Kramer na FSP
Não temos chefe...nem dono...A direita é a direita com seus valores e princípios...O resto é bobagem...seguem aí esquerdistas vcs continuam....
Pois é e eu aqui na minha ingenuidade achando que o chefe da direita era o Jair. O mitológico que vai sendo consumido pela triste história familiar. O Jair barrou o Tarcísio e impôs o sangue da família e deu no que deu. Até o 02 Carlos reconheceu: “desculpa, pai, a gente falhou”.
De novo erram. Devia pedir desculpas não ao papai mas aos 59 milhões que confiaram no brother fujão
A gente entende o esforço e compreende q perdemos por enquanto...afinal....
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