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quarta-feira, 22 de julho de 2026

DIGA NÃO AS DROGAS



DIGA NÃO AS DROGAS

Luiz Fernando Veríssimo
 
Publicado no viver é perigoso em 19/12/2010 - Participação do Welligton Etrusco

Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de "experimenta, depois, quando você quiser, é só parar..." e eu fui na dele. 

Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de "raiz", "natural" , da terra", que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do "Chitãozinho e Xororó" e em seguida um do "Leandro e Leonardo". Achei legal, coisa bem brasileira; mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freqüente, comecei a chamar todo mundo de "Amigo" e acabei comprando pela primeira vez.

Lembro que cheguei na loja e pedi: - Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano. Era o princípio de tudo! Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de Axé. Ele dizia que era para relaxar; sabe, coisa leve... "Banda Eva", "Cheiro de Amor", "Netinho", etc. Com o tempo, meu amigo foi oferecendo coisas piores: "É o Tchan", "Companhia do Pagode", "Asa de Águia" e muito mais. 

Após o uso contínuo eu já não queria mais saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer a bunda como eu nunca havia mexido antes, então, meu "amigo" me deu o que eu queria, um Cd do "Harmonia do Samba". Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, minha razão de existir. Eu pensava por ela, respirava por ela, vivia por ela! Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais . . . 
Comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas. Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show de encontro dos grupos "Karametade" e "Só pra Contrariar", e até comprei a Caras que tinha o "Rodriguinho" na capa.
Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro, meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo. Não deu outra: entrei para um grupo de Pagode. 
Enquanto vários outros viciados cantavam uma "música" que não dizia nada, eu e mais 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorriamos fazíamos sinais combinados. Lembro-me de um dia quando entrei nas lojas Americanas e pedi a coletânea "As Melhores do Molejão". Foi terrível!! Eu já não pensava mais!! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas "miseráveis" e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a fase negra ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do poço, no limiar da condição humana, quando comecei a escutar "Popozudas", "Bondes", "Tigrões", "Motinhas" e "Tapinhas". Comecei a ter delírios, a dizer coisas sem sentido. Quando saia a noite para as festas pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas; uns nobres queriam me mostrar o "caminho das pedras", outros extremistas preferiam o "caminho dos templos". Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominado pela droga mais poderosa do mercado: a droga limpa.
Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento está sendo muito duro: doses cavalares de Rock, MPB, Progressivo e Blues. Mas o meu médico falou que é possível que tenham que recorrer ao Jazz e até mesmo a Mozart e Bach. 
Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam sua visão para as coisas boas e te oferecem drogas.
Se você não reagir, vai acabar drogado: alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável e distante; vai perder as referências e definhar mentalmente.
Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte: Não ligue a TV no Domingo a tarde; Não escute nada que venha de Goiânia ou do Interior de São Paulo; Não entre em carros com adesivos "Fui ... "
Se te oferecerem um CD, procure saber se o suspeito foi ao programa da Hebe ou se apareceu no Sabadão do Gugu; Mulheres gritando histericamente é outro indício; Não compre nenhum CD que tenha mais de 6 pessoas na capa; Não vá a shows em que os suspeitos façam gestos ensaiados; Não compre nenhum CD que a capa tenha nuvens ao fundo; Não compre qualquer CD que tenha vendido mais de 1 milhão de cópias no Brasil; e Não escute nada que o autor não consiga uma concordância verbal mínima. 
Mas, principalmente, duvide de tudo e de todos. 
A vida é bela! Eu sei que você consegue! 
Diga não às drogas.

Luiz Fernando Veríssimo

Viver é Perigoso

CASO DE CADEIA



O chefe do Pentágono, Pete Heseth, foi sabatinado na terça-feira (21) no Senado americano e afirmou que a nova estimativa do custo da guerra contra o Irã é de US$ 37,5 bilhões (algo próximo dos R$ 190 bilhões)

Junto com o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior, ele pediu outros US$ 70 bilhões para continuar financiando as operações.

Viver é Perigoso

ZÉ FERINO

 


Conversa tradicional das terças, na Barraca de Pastel  da Feira Livre da Boa Vista, é claro.

- E aí Sr. Zé, voltando as atenções para o retorno do brasileirão de futebol ?

- Camarada, andei pensando na desgraceira que foi para o futebol o intromissão da eletrônica. Sou totalmente contra a aplicação do impedimento semi-automático e também esse tal de VAR.

- Como assim Sr. Zé ? é a evolução.

Camarada, evolução um Catzo. Acabaram com a graça e mataram o "juiz ladrão". O divertimento era passar a semana toda discutindo lances duvidosos acontecidos nos jogos dos sábados e domingos, tirando uma dos amigos e conhecidos torcedores de outros times. Mataram o gostoso das rivalidades.

- É Sr. Zé, faz todo o sentido. 

Viver é Perigoso

PALAVRAS NA PRAÇA

 


Conversa ouvida nesta bonita manhã de quarta-feira (22/7) na Praça Central.

- Gente, hoje presenciei um gesto nobre dos vereadores voltado para o interesse da população.

- Tá brincando meu amigo. Quando se deu isso ?

- Acabei de ver um pessoal carregando numa caminhonete, móveis e papelada retirados do prédio da Câmara Municipal. Perguntei e me disseram que a Câmara estava sendo transferida para o prédio da Escola de Enfermagem.

- E dai ? onde está o gesto nobre ?

- Cara não deu para você perceber que vai abrir um estacionamento para uns dez carros ou mais em frente do prédio ? Já notou como hoje é difícil parar o carro nas proximidades ?

- Ah ! bom. Faz todo o sentido. Agora e o estacionamento do velório em frente a Escola de Enfermagem ?

- Calma pessoal. Querem tudo de uma vez ?

Viver é Perigoso  

TOMOU O BARCO

 


Tomou o barco hoje (22) no Rio de Janeiro o cineasta Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão. Nascido no Ceará em 1928.

Barretão foi um dos maiores produtores de cinema do Brasil. Foi um dos nomes responsáveis por sucessos como 'Dona Flor e seus Dois Maridos' e 'Vidas Secas'.

Atravessou diferentes períodos do audiovisual brasileiro, do cinema novo à retomada.

Ainda adolescente, iniciou-se no jornalismo em O Democrata, jornal do Partido Comunista cearense que fechou as portas em 1947. Foi para o Rio de Janeiro, onde conseguiu emprego na revista O Cruzeiro, o veículo de circulação nacional mais célebre e influente daquela época, onde se tornaria repórter e fotojornalista.

Em 1963, fundou em 1963 a L.C Barreto, com a mulher, Lucy Barreto, que seria a sua produtora por toda a vida.

Lucy Villela Barreto, hoje com 93 anos, é mineira de Uberlândia.

Viver é Perigoso


ANIMAÇÃO

 

Viver é Perigoso