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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

PÉ DE MEIA GARANTIDO



O Sr. Valdemar, presidente do PL, afirmou ter autorizado a transferência de R$ 3 milhões do fundão para cada deputado federal da sigla que será candidato.

O valor vai ser o que todos os 98 deputados de mandato vão receber.

Viver é Perigoso

COMIGO TAMBÉM, É CLARO

 


PEQUENO INVENTÁRIO DO QUE NÃO ACONTECEU

de Carlos Castelo

Não escrevi o grande romance brasileiro.
Também não escrevi o pequeno, o que talvez seja mais grave.
Não ganhei o Jabuti, o Camões, o Pulitzer. Nem sequer um prêmio cuja cerimônia fosse realizada numa padaria.
Nunca recebi um telefonema da Academia Brasileira de Letras perguntando o número do meu manequim.
Não fui traduzido para vinte idiomas.
Não morei numa água-furtada em Paris escrevendo um livro genial enquanto devia três meses de aluguel.
Não discuti literatura com Borges num café de Buenos Aires.
Não bebi com Paulo Mendes Campos.
Não joguei frescobol com Millôr Fernandes.
Não tive uma frase roubada por Nelson Rodrigues, principalmente porque ele morreu antes que eu pudesse escrevê-la.
Nunca encontrei Kafka numa repartição pública, embora tenha encontrado repartições públicas suficientes para compreender Kafka.
Não publiquei uma crônica que tenha derrubado um ministro.
Não fui correspondente de guerra.
Não redigi a manchete que parou o país.
Nenhum presidente da república perdeu o sono por minha causa.
Nenhum general mandou recolher meus livros.
Nenhuma das minhas obras precisou ser escondida debaixo do colchão. (Algumas, infelizmente, poderiam ter sido).
Não criei um best-seller.
Não precisei fugir de leitores numa livraria.
Nunca houve fila dobrando o quarteirão para obter meu autógrafo. Houve ocasiões em que nem o quarteirão apareceu.
Não vi alguém lendo um livro meu no metrô e, comovido, deixei de revelar que era o autor.
Não colaborei com a The New Yorker.
Não fui convidado para jantar na casa de Woody Allen, o que hoje considero uma frustração administrável.
Não tive uma casa de campo onde pudesse anunciar aos amigos que estava me retirando para escrever.
Não flertei com Brigitte Bardot em Búzios.
Não tive groupies esperando na porta do camarim. Às vezes, nem camarim havia.
Não aprendi piano.
Não toquei guitarra manouche.
Não escrevi o slogan que entrou para a história da publicidade brasileira.
Não tive uma ideia às três da manhã pela qual uma multinacional pagasse três milhões de dólares.
Não fui diretor de criação em Londres.
Não trabalhei num escritório com vista para o Central Park.
Não disse a um cliente: “Ou você aprova esta campanha ou eu me demito.”
Não inventei uma palavra incorporada ao dicionário.
Não recitei um poema tão perfeito que todos à mesa permanecessem em silêncio.
Não consegui viver de poesia.
Não fui gravado por Chico, Caetano e Gil.
Não viajei pelo mundo com uma pequena mala, um caderno e nenhuma preocupação.
Não aprendi a dizer não no momento certo.
Não li todos os livros que comprei.
Não escrevi todos os livros que imaginei.
Não cheguei aonde pretendia.

E, pensando bem, se tudo tivesse dado certo, eu provavelmente não teria nada para escrever nesta crônica.

Carlos Castelo

Viver é Perigoso

ZÉ FERINO



 Conversa rápida com o Sr. Zé Ferino nesta manhã de quinta-feira prá lá de estranha.

- Bom dia Camarada, hoje o tempo não está para muita conversas mas quero manifestar minha opinião totalmente contrária a uns políticos locais e exercendo mandato, pedindo votos, na mídia, para candidatos a deputados alienígenas, tendo aqui entre nós excelentes nomes. Têm alguma diferença com os daqui ? Que fiquem em silêncio.

- É Sr. Zé...

Viver é Perigoso

CANDIDATOS

 

Viver é Perigoso

TOMOU O BARCO




Noticiada hoje (27) a tomada de barco ocorrida no último dia 14, em Tóquio, da Yayoi Kusama, a famosa Moça japonesa, revolucionária e a frente do seu tempo.

A artista plástica e escritora japonesa, nasceu em 1929.

Seu trabalho é uma mistura de diversas artes, como colagens, pinturas, esculturas, arte performática e instalações ambientais, onde é visível uma característica que se tornou a marca da artista: a obsessão por pontos e bolas.

Sempre foi uma mulher à frente do seu tempo, feminista, moderna e revolucionária por natureza. Em 1973, Kusama resolveu retornar ao Japão por problemas de saúde. Seu transtorno obsessivo tinha se agravado e, assim, se internou em um hospital psiquiátrico, onde vivia até tomar o barco.

No Brasil, a sua obra “Narcissus garden Inhotim” (2009) pode ser encontrada no Centro Cultural Inhotim, em Minas Gerais.

Além disso, Kusama também se embrenhou na arte da literatura, com romances e poesias, escritas em treze livros.

Partiu com 97 anos.

Viver é Perigoso

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

MERCADO LÓGICO




A dívida pública brasileira, os juros e a política nefasta

Voltou ao debate eleitoral o aumento exponencial da dívida pública brasileira. Principais candidatos deram ênfase nos seus planos (?) de governo.

A dívida pública brasileira vem crescendo em valores nominais. E em relação ao PIB p. ex. desde os anos 1970, Durante o tal Milagre Econômico – 1968 a 1973 o crescimento econômico trouxe com ele endividamento externo. Empresas nacionais e bancos se endividaram em dólares. Os anos 1980 chegaram com a 2º choque do petróleo. A moratória mexicana. E a chamada “Década Perdida”. A crise dessa enorme dívida forçou mudança de rumo. Com as crises externas procuramos menos dependência em dólares.

Como estratégia macro boa parte dessa dívida foi nacionalizada. Culminando com o Plano Real nos anos 1990. Mudamos de preocupação. Acumulando reservas internacionais depois da era FHC a dívida interna passou a preocupar. E vem cresce ano após ano. Governo após governo.

A nossa dívida hoje chega a quase 82% do PiB. E vem crescendo independentes de governos de esquerda ou de direita. Após o descalabro do governo (?) Dilma a dupla Temer/Meireles tentou um equacionamento com o Teto de Gastos. Que limitava o crescimento das despesas federais à inflação do ano anterior. O teto foi sucessivamente contornado nos tempos do Jair e do Lula. O método infeliz era aprovar despesas fora do teto. Jair fez muito e Lula também.

O Teto de Gastos foi formalmente extinto com a aprovação pelo Congresso.

E promulgação do Arcabouço Fiscal em 2023. Arcabouço com metas variáveis. Referentes ao resultado primário (diferença entre receitas e despesas do governo). Sem contar os juros da dívida. Diferente de um teto essas metas possuem uma banda de tolerância (margem de variação de 0,25% a 0,5% do PIB para cima ou para baixo). Que definem o teto de crescimento dos gastos públicos do ano seguinte. Meta cheia de desculpas para se gastar além da conta.

Bom chegamos aos dias de hoje com os diagnósticos que do jeito que está o perfil da dívida não pode continuar. Vários fatores contribuem. Entre esses fatores chama atenção papel das taxas de juros. Mais do que resultado direto de gastos públicos elevados o crescimento da dívida pública brasileira está fortemente associado ao custo de seu financiamento. Especialmente em um contexto de juros elevados. (Selic). A taxa básica definida pelo Banco Central amplia o volume de recursos destinados ao pagamento de juros. Fazendo com que a dívida cresça de forma autônoma ao longo do tempo. “Cada ponto percentual na taxa de juros representa um impacto bilionário nas contas públicas”.

Hoje se discute muito entre economistas que a nossa dívida precisa ser equacionada. Principalmente seu perfil de curto prazo. E corte nas despesas Decisão sempre politicamente difícil pois o governo teria que cortar investimentos em obras. Programas sociais. E aumento do salário mínimo. Quem está disposto a isso? Nem a esquerda nem a direita pois seria suicídio eleitoral futuro. Temer fez porque não era candidato a nada.

Mas analisemos outros casos

A dívida pública bruta dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões. Quase 130% em relação ao PIB. Impulsionada por gastos militares. Cortes de impostos. E devoluções milionárias tarifárias. O país do Donald deve pegar emprestado mais de US$ 1,98 trilhão apenas neste ano para cumprir obrigações financeiras. Esse montante inclui custos com a guerra no Irã. E os amplos cortes de impostos federais que os Republicanos aprovaram em 2025. Gastos com previdência social. Medicamentos e juros da dívida consomem uma parcela elevada do orçamento federal americano.

O Japão tem a maior dívida pública do mundo em proporção ao tamanho de sua economia. Ultrapassando 200% do seu PIB. Em termos de valor absoluto em dinheiro, os Estados Unidos lideram o ranking global devido ao tamanho total de seu mercado e emissão de títulos.

Mas isso é um problema para esses países? Não porque nem passa pela cabeça dos investidores de títulos desses governos que um dia os países vão quebrar. Ou dar um calote. Se derem seria o caos mundial. Quebradeira geral e irrestrita.

No Brasil é diferente. Cada vez mais os investidores (principalmente bancos) estão exigindo taxas mais altas para comprar títulos do governo. Consequências: taxa de juros reais que não cai. Crédito caro. Inadimplência de famílias e empresas. Renda comprometida. Baixo crescimento.

Estão aí as eleições. Planos de futuros executivo/legislativo estão sendo apresentados.

Vencedores terão a coragem de enfrentar essa questão macroeconômica da dívida?

Mercado-Lógico

Viver é Perigoso

SANEAMENTO BÁSICO


 Viver é Perigoso

MOÇO BONITO



Um abração Pedro Riera. Mais um ano preenchendo a nossa vida de admiração e alegria. Um presente de Deus recebido, em Manaus, no dia 26 de agosto de 1980.

Idealizador, junto com a irmã Rachel, do "viver é perigoso".

Viver é Perigoso