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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

MOÇO BONITO


Falar do Sr. Joseph Raymond Conniff não provoca muita emoção, mas esclarecer que se trata do Sr. Ray Conniff, revira o baú de lembranças.

O Sr. Joseph nasceu em Massachussets em 1916 e fez um curso de teoria musical por correspondência. Mais adiante tornou-se aluno da Julliard School, a Escola Superior de Música de Nova York.

Trombonista, passou a escrever arranjos para grandes cantores e em 1955, teve a oportunidade de formar a sua própria orquestra. Estilo de associar vozes com instrumentos lhe deu uma característica única. Em 1956, o seu primeiro disco solo "S Wonderful" vendeu milhões de cópias.

Ray Conniff fez um grande sucesso até o início da segunda metade da década de 1960, período em que seu som era ouvido em bailes de clubes, nas rádios e marcou época nas chamadas brincadeiras dançantes.
Não ficava ninguém sentado. As bonitas e os estudantes de engenharia já estavam dançando. Com a música do Ray Conniff iam todos os outros. Feios e as não muito simpáticas. Os apaixonados por amores impossíveis e os desiludidos.

Ali pelo início dos anos 60 o universo da moçada se resumia em dois paraísos: aos bailes do Diretório Acadêmico e as inesquecíveis brincadeiras dançantes. Eram realizadas nas residencias, normalmente por ocasião do aniversário de alguém. Não se levavam presentes e também, quase sempre, não tinha nada para beber ou comer.

Era só papear e dançar. Encostavam a mesa em um canto da sala e as cadeiras em outro e vamos embora. A eletrolinha Sonata esquentava. Ritmo? Só dava dois prá lá e dois prá cá.
Das 20:00 ás 23:00 horas. Horários rígidos.

Grandes amores, peito rasgado por ciúmes juvenis, mãos suadas e corações disparados. Homem com homem, naquela ocasião, eu nunca vi dançando. Mas mulher com mulher, já.
Namoros eram iniciados, relações restabelecidas e promessas descumpridas.

"Tábuas" (recusa a um pedido de dança) eram motivo de comentários por séculos.

O difícil era dançar olhando para as antigas fotografias dos familiares do dono casa, fixadas na parede. Cada cara feia...

Voltando ao Ray, ele fez sua primeira visita ao Brasil em 1969 e levou a platéia do Maracanãzinho ao delírio com "Aquarela do Brasil". Ficou ligado no Brasil e aqui voltou por onze vezes.

Ray tomou o barco em 2002, na Califórnia, vítima de um acidente doméstico.

Viver é Perigoso

DARK HOR$E

 

Viver é Perigoso

QUASE UMA CONCLUSÃO




"A luz que a experiência nos dá é a de uma lanterna na popa, que ilumina apenas as ondas que deixamos para trás."

Samuel Taylor Coleridge (1772-1834)

Viver é Perigoso