Tomou o barco hoje em Itajubá o amigo Aldo Gonçalves.
Nos conhecemos no início dos anos 60, colegas de turma no curso ginasial no Colégio de Itajubá. Amizade ininterrupta.
Sim, nos estudos e na vida pessoal nos distanciamos fisicamente por tempos, mas nada que um contato telefônico não desse jeito.
Uma amizade que atravessou incólume toda a adolescência, juventude e podemos afirmar pelos números, foi seguindo durante a quase velhice.
Um exemplo de relacionamento impar. Exceto pela admiração pelos Beatles, discordamos sobre muitos episódios passageiros, sempre com respeito. Nunca divergimos sobre princípios.
Um pouco do Aldo:
Nascido em Passa Quatro, infância em Delfim Moreira e vida toda de dedicação em Itajubá. Coragem beirando a irresponsabilidade.
Fixação profissional em Itajubá e privilegiado por estar ao lado de uma Moça Bonita, Angela e filhos bem sucedidos.
Intensa participação na comunidade, muita ajuda aos mais necessitados e o encaramento sem tréguas com as injustiças. Apaixonado pela medicina, pela família, por boas músicas, por fotografias, por uma boa mesa e por causas quase que perdidas. Literalmente um homem de visão e de bem.
Fosse eu buscar um personagem da literatura que pudesse personificá-lo, não titubearia em citar D. Quixote. Mania de empunhar bandeiras sem chances de vitória, por causas quase que perdidas apenas pelo prazer da luta.
Ao seu lado, tédio não existia. Como lhe disse certa vez:
- Se ele vivesse na época, estaria entre os doze.
- Se ele vivesse na época, não seriam "os dezoito do Forte de Copacabana", seriam dezenove.
- Se ele vivesse na época teria atravessado a Serra da Mantiqueira com o Dr. Theodomiro e se alistado na força pública de São Paulo, na revolução de 1932.
- Se ele vivesse em Cuba na época, estaria com os barbudos em Sierra Maestra.
- Se ele vivesse na Argentina na época, teria sido Montonero.
- Se ele vivesse no Uruguai na época, teria sido Tupamaro.
- Se ele vivesse na Alemanha na época, teria feito parte do grupo Baader-Meinhof
- Se ele vivesse em Paris na época, teria se alistado na Legião Estrangeira.
- Se ele vivesse em Ouro Preto na época, teria feito parte dos Inconfidentes.
Simples checar a importância da participação do Aldo nos 17 anos de existência do "viver é perigoso".
Viver é Perigoso


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