Aproveitando a ausência do Sr. Zé Ferino, hoje fazendo exames médicos, aproveitei para uma conversa a sós com o sr. John Chair, de passagem rápida, segundo ele, pela Boa Vista, para tratar de negocios.
- Sr. Chair disse eu, contrariando-o, pois ele abomina o não gosta do tratamento de Senhor, pois para ele só existe um só Senhor.
Então, para ficar melhor, você é de esquerda ou direita.
- Simples meu Camarada. Expliquei na semana passada mesmo para um jornalista fazendo pesquisa, tentando provar que nem todos como eu, voltado para os rabiscos em telas e manias de escrever causos, apreciador de leitura e ouvinte exigente de jazz, blues, rock dos bons e MPB, são de esquerda, ou melhor, às vezes somos considerados e outras vezes não.
Por exemplo, no final dos anos 60, quando estive por um bom tempo morando na Espanha, eu era considerado pelos amigos, um cara de esquerda. Lembrando que o governo na época era o Francisco Franco.
O diferente aconteceu logo um pouquinho adiante, quando passei uns belos meses na Ilha de Cuba. Era olhado com desconfiança e tratado como de direita.
Admito que passei tranquilos nas minhas vindas pelo Brasil, no pós golpe ou revolução de 1964. Não era considerado nem de um e nem de outro, logo eu que nunca deixei de expor meus pensamentos, mesmo com os militares no poder. Conversamos com liberdade.
Não mais que derrepente, como dizia o poeta, as coisas ficaram complicadas para mim no País, mais precisamente em dezembro de 1968.
Era desembarcar no Galeão, chamada para revistas, interrogatórios absurdos, etc. Queriam saber de toda a minha agenda. Aqui mesmo na terrinha, como você chama, fui levado no quartel para uma conversa sem nexo. Voltei para a França e passei uns bons anos sem voltar na Patria Amada. Fiquei conhecido como de esquerda.
Já no Chile, o início dos anos 70, quando do governo o médico Salvador Allende, e lá convidado por alguns amigos queridos era tido pelos conhecidos, como de direita. Claro, num retorno rápido a Santiago, já com Pinochet no poder, passei a ser olhado como esquerda.
Sou grato por ter amigos por todos os cantos. Na Rússia e na China, os colegas comentam sobre um possível viés de direta em mim.
Depois, quando do PT no poder com o Sr. Luis Inácio e a Dilma, quando em visita a nossa terrinha, os amigos viam em mim um arzinho de direita.
Durou pouco. No governo do Sr. Jair, até nas conversas de Boa Vista me enxergavam como de esquerda.
Interessante é que desta vez a mudança de governo para o do Luís Inácio não alterou o que pensam de mim. Por enquanto, para os mais próximos continuo sendo de esquerda, talvez face a essa polaridade absurda que toma o País.
Finalizando caro amigo Camarada, sempre consegui um social democrata teimoso e insistentemente na justiça, na correção e nos direitos.
- Grato Sr. Chair. Valeu
Viver é Perigoso