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sábado, 27 de junho de 2026

GAVETA DE MEMÓRIAS

 




Na Boa Vista, é claro: Cati, Athanasio, Carlos Riera, Califa e Toninho Saia

Viver é Perigoso

ESTAÇÃO DE MARIA DA FÉ


 
Logo ao chegar, o dístico (placa) na estação deixa claro que ali há história. Inaugurada em 27 de junho de 1891, a estação ferroviária de Maria da Fé, completa neste sábado (27) 135 anos e foi responsável pela origem e desenvolvimento do município na Serra da Mantiqueira.

Sua trajetória começa dois anos antes da inauguração, quando a Estrada de Ferro Sapucaí teve início em Soledade de Minas, em 1889. No ano seguinte, os trilhos começaram a ser construídos até Maria da Fé, sendo inaugurados em 27 de junho de 1891.

O então arraial começou a receber estabelecimentos comerciais e a ver sua população aumentar de forma gradativa. Conhecida hoje por seus azeites de oliva, a cidade tem como sua principal atividade agrícola a batata, seguida por tomate, cenoura e café.

Como ocorreu com outras companhias ferroviárias, a Sapucaí, já rebatizada como Viação Férrea do Sapucaí, teve trajetória curta, de somente 19 anos, até ser incorporada pela Rede Sul-Mineira.

Duas décadas se passaram e, em 1931, a Rede Mineira de Viação passou a ser responsável pela ferrovia, substituída em 1965 pela Viação Férrea Centro-Oeste e, dez anos depois, pela Rede Ferroviária Federal S.A —também já extinta.

Embora sem passageiros desde 1979, o ramal Sapucaí ainda operou para o transporte de cargas até 1986, quando os trilhos começaram a ser retirados. Ela teve 269 quilômetros em sua extensão.

O local ficou fechado alguns anos, até que em 1985 já funcionava como centro cultural, após a assinatura de um contrato entre a prefeitura e a Rede Ferroviária Federal. O espaço foi tombado pelo Conselho Municipal de Cultura em abril de 1998 e passou por reforma em 2008.

A praça da estação abriga desde 1998 a locomotiva a vapor Baldwin nº 225, fabricada nos Estados Unidos em 1918 e que tinha sido retirada da cidade mineira anos antes, para ser integrada ao acervo da União.

A saída da maria-fumaça gerou um movimento municipal na década de 1990 em busca da recuperação da locomotiva, que resultou numa parceria em que a prefeitura fez a compra parcial da máquina, que foi restaurada.

Maria da Fé chegou a ter outra estação, Anil, inaugurada em 1931, mas que foi demolida.

Dístico é o letreiro que identifica a estação ferroviária, fixado na fachada do prédio e que sempre funcionou como uma sinalização de onde os passageiros estavam chegando.

Como era comum viagens longas nos trens, em quilômetros e horas, e como existiam dezenas de estações no trecho, os dísticos serviam como orientação para os usuários das locomotivas.

No trecho entre Soledade de Minas e Itajubá - o ramal de Sapucaí - , que hoje por rodovias tem pouco mais de 80 quilômetros, existiram oito estações. Os trens, comumente, não alcançavam velocidade média de 30 quilômetros por hora.

Marcelo Toledo - Folha de São Paulo

Viver é Perigoso

PALPITE

 


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