Estudo do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE) mostra que o crescimento no número de suicídios no Estado coincide com a falta de estrutura da saúde pública para lidar com o adoecimento mental.
Levando em conta a realidade em 66 microrregiões, o Estado tem verdadeiros desertos assistenciais com uma distribuição desigual dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e baixa oferta de psiquiatras.
Nos casos mais extremos, há áreas com um único centro para atender uma população de 200 mil pessoas. Também é comum encontrar áreas com um único psiquiatra para cada 100 mil habitantes. A pesquisa mostrou que quanto mais restrita a rede assistencial, maiores as taxas de mortes desse perfil.
Estudo, divulgado em 2025, mostrou que as cinco microrregiões com as menores taxas de cobertura de Caps em Minas são: Diamantina, com um serviço para 86 mil habitantes; Governador Valadares, um para cada 137 mil; Itaguara, um para aproximadamente 72 mil; Itajubá, um para 200 mil; e São João del-Rei, um para 198 mil moradores.
A microrregião de Itajubá, no Sul de Minas, que apresenta a menor disponibilidade de estrutura, tem uma média de dez suicídios por 100 mil habitantes.
Para efeito de comparação, na microrregião de Aimorés, no Rio Doce, que apresenta uma das menores taxas de mortes do tipo, a média é de cerca de quatro suicídios por 100 mil habitantes. Em todo o estado, o número de autoextermínios subiu 34% de 2014 a 2024, passando de 1.357 para 1.825.
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