Translate

quinta-feira, 19 de março de 2026

ZÉ FERINO


Rápido encontro com o Sr. Zé Ferino nesta manhã estranha de quinta-feira, na Boa Vista, é claro.

- E aí Sr. Zé, como está de feriado ?

- Camarada, vou ser sincero. Nada mais esquisito do que feriado só aqui na cidade. A gente chega a pensar que o País todo parou. Vem o notíciario da televisão e mostra que tudo segue em frente. Sinceramente, eu até me perco um pouco.

- Éhhh... Sr. Zé, ainda mais com esse tempo indeciso, ou chove ou não chove, esfria ou não.

- Camarada, é aniversário da terrinha, mas não sei porque, uma coisa meia indecisa no ar.

- Éhh... Sr. Zé, talvez uma passada pelo Parque proporcione uma animada.

Viver é Perigoso

MÚSICA NO PARAÍSO



Contam os mais antigos que no Céu, isso mesmo no Paraíso, existe um local maravilhoso, e mesmo não poderia deixar de ser, onde costumam se reunir todas as sextas-feiras, músicos itajubenses que já tomaram o barco.

Desta vez resolvram antecipar o encontro de sexta para quinta-feira, afinal commora-se o aniversário de Itajubá 

Histórias são lembradas e músicas são ouvidas.

O organizador dos saraus é o Senhor Licurgo Mineiro de Souza Nogueira, na verdade, nascido em Cristina e fundador da mais antiga Filarmônica que se tem notícia em Itajubá. Lá pelos idos de mil oitocentos e poucos. Senhor Licurgo é conhecido, por entre as nuvens, por sempre estar assobiando o dobrado de sua autoria, com o nome de Boa Vista, é claro.

Apareceu por lá, excepcionalmente, o Dr. Theodomiro Santiago, ligado ao pessoal, por ter ter introduzido em 1906, as aulas de música no Colégio de Itajubá, que ficaram sob responsabilidade do maestro Francisco Nisticó, que chegou acompanhando o  fundador da Unifei.

Numa rápida vistas de olhos, notava-se a presença do Maestro Luiz Melgaço, virtuose da clarineta, que ficou conhecido, entre outros méritos, por ter composto o "Hino de Brasília". Sempre simpático o Maestro Antonio Venturelli Ferrer, tratado pelos amigos de Juju Venturelli, criador da Banda de Música da Fábrica de Armas (Imbel), em 1934.

No grupo mais alegre, conversavam os fundadores da Lira São José (da Boa Vista, é claro), que lembravam o primeiro de maio de 1957, quando liderados pelo Padre Adão (ainda não tinha chegado), Luís Riera, Juca Rocha, Zé de Almeida, Carlos Galvão e Henrique Barbosa, oficializaram a criação da Lira.

Algumas senhoras presentes eram tratadas com carinho especial. A pianista Emília Sanches Coelho, Dona Salô Vianna e Dona Jandira Coelho, conhecida empresária que proveu muitos concertos na cidade.

A alegria corria solta no grupo, onde se via, Quim Miranda, Menino Miranda, Joubert Guimarães, Prótogenes Pinto de Almeida, Romeu Venturelli, Benedito Nascimento, Naildo Rezende, Pedro Feichas, José de Olivas, Assis, todos centralizando as atenções para as falas dos maestros Fructuoso Vianna e Luiz Ramos de Lima.

A conversa girava sobre as festividades do aniversário de 207 anos de Itajubá. Todos buscavam informações sobre os artistas escolhidos pela prefeitura para abrilhantar tão importante ocasião. 

Comentários sobre a ausência de músicas clássicas, de orquestras e até, porque não, de blues, jazz e chorinhos.

A atenção de todos foi chamada pelo respeitado Wenceslau Braz. Gente, respeitem o gosto da rapaziada, o nosso tempo passou. Precisamos incentivar a moçada no poder a pelo menos, providenciar um piano para o Teatro Municipal.

Viver é Perigoso

MOÇA BONITA




E coloca bonita nisso. Completa 90 anos hoje (19) a suiça Ursula Margo Andress, simplesmente Ursula Andress, um dos maiores símbolos sexuais das telas na década de 60.

Lançada como "bond girl" no primeiro filme de James Bond - 007 Contra o Satânico Dr. No (1962).

A cena icônica de Ursula Andress no filme Contra o Dr. No , emergindo do mar cantarolando uma melodia, vestida com um biquíni branco e uma faca na cintura — sob o olhar atento de um jovem Sean Connery, cujas sobrancelhas se erguem à medida que ele se aproxima dela — é história do cinema.

O famoso biquini branco - feito por ela mesma, que não ficou satisfeita com os apresentados pelos figurinistas - foi vendido num leilão em 2001 por US$ 80 mil.

Trabalhou em muitos outros filmes, em papéis sensuais, que exploravam sua beleza física, ao lado de Elvis Presley, Frank Sinatra, Marcelo Mastroianni, George Peppard, Alain Delon, Charles Bronson.

Teve uma vida amorosa atribulada. Depois do fim do casamento com John Derek, em 1957, se relacionou com Jean-Paul-Belmondo, com Ryan O´ Neal, com Warren Beatty e acreditam, com o jogador de futebol brasileiro, Paulo Roberto Falcão.

Do seu relacionamento com o ator Harry Hamlin, aos 44 anos, teve um filho.

Vive hoje discretamente entre Roma e os Estados Unidos.

A crítica especializada a definiu como "a mais espetacular peça de arquitetura natural da Suíça desde os Alpes" e um chefe de estúdio de Hollywood como "um dos maiores corpos do mundo ocidental.

Viver é Perigoso

ANA MARINHO


Como diz Edson Riera , viver é perigoso...

Sabe, eu fico aqui pensando — e pensando fundo — no que passa pela cabeça de quem olha para o nosso país sendo indicado a um prêmio como o Oscar… e, ainda assim, escolhe torcer contra.

É como ver uma árvore carregada de frutos e, em vez de celebrar a colheita, desejar a seca. Não faz sentido. A conta não fecha.

O cinema brasileiro tem história, tem raiz, tem alma. Ele nasce do barro das nossas vivências, das dores e das belezas que só quem vive aqui conhece. O fato de Agente Secreto não levar uma estatueta não apaga sua grandeza — porque reconhecimento de verdade não mora só no brilho do ouro, mora no impacto que a obra deixa no coração de quem vê, de quem sente, de quem entende.

O que entristece não é a ausência de um prêmio. É a ausência de olhar. É perceber que, para alguns, a cultura virou campo de batalha, quando na verdade ela sempre foi ponte. Cultura não tem partido, não veste camisa, não levanta bandeira — ela abraça, ela une, ela revela quem somos.

E quando alguém reduz isso a uma disputa rasa, revela mais sobre si do que sobre a obra. É como tentar medir o mar com um copo: não é o mar que é pequeno — é o instrumento que não alcança.

Eu confesso que decepciona, sim. Não pela crítica — porque a crítica constrói — mas pela ignorância travestida de opinião, pelo olhar estreito que insiste em enxergar sombra onde existe luz.

No fim das contas, cultura é isso: é a capacidade de enxergar além de si mesmo. E quem não consegue fazer isso… não está discordando — está apenas não alcançando.

E talvez a verdade mais dura seja essa: não é a arte que divide as pessoas… são as pessoas que, por não compreenderem a arte, escolhem viver divididas.

Ana Marinho

Viver é Perigoso