A expressão é "tem que doer na pele”.
É uma expressão idiomática comum na língua portuguesa. Que significa que uma pessoa precisa sentir as consequências ou o sofrimento de uma situação para realmente entender ou aprender a lição. O seu significado está relacionado à ideia de que o aprendizado só é efetivo. Ou a mudança de comportamento só ocorre quando a experiência é pessoal e dolorosa.
Então não está sendo doloroso o calorão ao qual quase 1.300 cidades estão submetidas?
Temos o defeito de achar que o mal que já passou não voltará. Vamos lembrar dos dados sobre extremos de temperatura no Brasil:
- Mais de 6 milhões de brasileiros enfrentaram pelo menos 150 dias de calor extremo em 2024
– Um ano marcado como o mais quente da história da Terra. Isso significa temperaturas que muitas vezes ultrapassaram os 40°C. Mas o calor atingiu todo o país: todas as cidades brasileiras enfrentaram ao menos um dia com temperaturas máximas extremas.
- O país viveu a pior seca da sua história, que afetou todo o território nacional, mas foi mais grave no Norte. Deixando rios secos e populações isoladas, sem acesso a serviços básicos.
- O Brasil viu queimar mais de 30 milhões de hectares, o que é quase o tamanho da Itália, em 2024. O fogo é reflexo de ação humana. Mas a proporção é consequência da falta de umidade. Resultado das altas temperaturas.
- Houve recorde de dengue: foram mais de 6 milhões de casos da doença. Que é favorecida pelo calor.
- Pela primeira vez, especialistas identificaram uma região de clima árido no Brasil.
- Informa o Climatempo: Verão brasileiro de 2025 (janeiro a março) é segundo mais quente da história. Aumento expressivo da temperatura do recorde de 2024. Ocorreu mesmo sem a forte influência do fenômeno El Niño. A temperatura registrada neste período ficou 0,73°C acima da média anual do período entre 1991 e 2020, quase alcançando o recorde do verão anterior, em 2024.
- Informa a OMM: Organização Meteorológica Mundial: A média global da temperatura entre janeiro e agosto/25 ficou 1,42 ºC acima dos níveis pré-industriais. Os últimos onze anos foram os mais quentes da série histórica iniciada há 176 anos. Lembremos que a meta do Acordo de Paris era de 1,5º C a serem atingidos em 2050!!!
A tendência de aquecimento extremo continua. Aqui e no mundo. Impulsionada por concentrações recordes de gases de efeito estufa. Dados preliminares apontam novos recordes em 2025 para dióxido de carbono, metano e óxido nitroso. O CO2, por exemplo, saltou de 278 ppm em 1750 para 423,9 ppm em 2024. Com aumento recorde de 3,5 ppm em apenas um ano!
O calor oceânico também. Subiu, superando os níveis de 2024. Mais de 90% da energia excedente gerada pelo efeito estufa é absorvida pelos oceanos. Isso intensifica tempestades. Acelera o derretimento polar. E contribui para a elevação do nível do mar. Entre 2016 e 2025, o ritmo médio de aumento do nível do mar dobrou, atingindo 4,1 mm por ano.
A cobertura de gelo do Ártico atingiu em março seu menor nível já registrado. Na Antártica, os índices também ficaram entre os três piores da série. Todos os sistemas glaciais monitorados perderam massa pelo terceiro ano consecutivo.
E aí ? Apesar de todas essas evidências. E dos alertas científicos continuamos na Marcha da Insensatez. Principalmente nossas elites. Como se não fosse responsabilidade de cada um de nós. Cobremos nossos administradores/vereadores municipais. Lembrem do lema da ONU: "Pense globalmente, aja localmente."
Querem “sentir na pele”? Saiam ao sol às 14, 15 horas em qualquer cidade dessas 1.300 cidades afetadas.
Mercado-Lógico
Viver é Perigoso