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terça-feira, 22 de setembro de 2026

TOMOU O BARCO

 


Tomou o barco o pintor Carlos Alonso, o mestre que traduziu em cores a dor e a memória da Argentina. Alonso nasceu em 1929, em Tunuyán, Mendoza.

O renomado artista plástico, autor de uma obra marcada pela preocupação política e social, partiu aos 97 anos na província de Córdoba.

Durante a última ditadura vivida pela Argentina, após o sequestro e o desaparecimento de sua filha Paloma Alonso Fauvety, que tinha 21 anos, o pintor deixou o país. Viveu no exílio na Itália e na Espanha. Retornou em 1981.

Reconhecido internacionalmente, seu legado é uma obra marcada por traços neoexpressionistas que revelava, em linhas e cores, suas preocupações políticas e sociais, bem como as feridas abertas pelo autoritarismo e pela violência. 

Alonso, comentou que jovem, o que viu na província de Santiago del Estero, no norte da Argentina, marcou sua trajetória e em certo sentido mudou completamente sua linguagem”, : 

“Ali descobri crianças com fome; crianças com as barrigas inchadas de fome. Descobri a miséria e as dificuldades de sobrevivência. Em certo sentido, tudo isso mudou completamente a minha linguagem. Acredito que o artista tem certo grau de responsabilidade para com a comunidade a que pertence. Escolhi refletir a necessidade de retratar o que acontecia em situações de emergência, em situações de pobreza, em situações que não correspondiam à capacidade, à possibilidade, à imagem ou ao desejo que se tinha do próprio país. "

Partiu um artista que conseguiu representar a dor própria e a tragédia coletiva como poucos.

El País

Viver é Perigoso

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