Antes que me torne um eremita completo, ocuparei este espaço para falar e discutir um pouco, com simplicidade, sobre a vida, com suas alegrias e tristezas. Pode ser que acabe falando comigo mesmo. Neste caso, pelo menos prevalecerá a minha opinião.
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terça-feira, 31 de agosto de 2010
RENOVAÇÃO
A águia é a única ave que chega a viver 70 anos. Mas para isso acontecer, por volta dos 40, ela precisa tomar uma séria decisão.
Nesta idade, sua unhas estão compridas e flexíveis. Não conseguem mais agarrar as presas com as quais se alimenta. Seu bico, alongado e pontiagudo, curva-se. As asas, envelhecidas e pesadas em função da espessura das penas, apontam contra o peito. Voar já é difícil.
Neste momento crucial de sua vida a águia tem duas alternativas: não fazer nada e morrer, ou enfrentar um dolorido processo de renovação que se estenderá por 150 dias.
A nossa águia decidiu enfrentar o desafio. Ela voa para o alto de uma montanha e recolhe-se em um ninho próximo a um paredão, onde não precisará voar. Aí, ela começa a bater com o bico na rocha até conseguir arrancá-lo. Depois a águia espera nascer um novo bico, com o qual vai arrancar as velhas unhas.
Quando as novas unhas começarem a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. Só após cinco meses ela pode sair para o voo de renovação e viver mais 30 anos.
Afonso Romano de Sant Anna
JÁ ASSISTIMOS ESSE FILME
Por duas vezes já assistimos o mesmo filme ou um muito parecido. Paulo Maluf tirou do bolso do colete o nome de Celso Pitta, que acabou sendo eleito prefeito de São Paulo. Deu no que deu.
Quércia tirou da cartola o nome de Luis Antonio Fleury. Não é bom nem lembrar.
Agora em Brasília...
ER
A ARTE DE ENXERGAR
Falta de assunto? Não. Falta de necessidade, falta daquele mínimo senso de que tratar desta ou daquela matéria faria alguém melhor ou mais feliz. Falta de aplicação na arte de enxergar, que meu amigo Elias José tão bem condensou em:
Olhar as coisas e descobrir: o avesso, o aviso, a fenda, o fundo, o engenho, o engano.
Olhar os livros e descobrir: o claro, o oculto, o culto, o definível, a dúvida, o decifrável.
Olhar os amigos e descobrir: o afeto, o aflito, o fácil, o afoito, a manha, a mão.
Olhar no espelho e descobrir: o tempo, a têmpera, a marca, a máscara, o mesmo, o outro.
Mas isso passa, bastando que saibamos fazer como o Pequeno Príncipe – deslocar um nadinha sua cadeira lá no planetinha dele e usufruir mais uma vez do renovado espetáculo de um pôr-do-sol. Não se irá ao exagero da fossa dele – duzentos e não sei quantos pores-de-sol em sessões corridas; porém uma ajeitadinha na cadeira modifica nossos pontos de vista e nos oferece a sempre nova alegria de achar outra perspectiva.
É. Acho que é isso. O problema passou a ser de perspecitiva. Escrever sobre coisas batidas sob um ângulo novo.
Márcio Lauria (postado pelo Humberto Chiaradia)
ER
ADEUS AO JORNAL DO BRASIL IMPRESSO
Circula hoje a última edição do JB - Jornal do Brasil, que foi companheiro das manhãs de milhares de brasileiros. Era obrigatória a leitura da Coluna do Castelo, escrita pelo jornalista Carlos Castelo Branco, sobre a política nacional. Depois íamos direto para a Coluna do Zózimo (Barroso do Amaral). Estavam sempre em suas páginas, Janio de Freitas, Marcos Sá Correia, Manoel Bandeira, Clarice Lispector e Carlos Drummond de Andrade. Toma o barco com 119 anos.
ER
FRASE (ABOBRINHA) DO DIA
"Já está mais do que na hora de alguém apresentar a Dilma "criada", para a Dilma real. Elas não se conhecem e são figuras díspares."
José Tipica
POSTAGEM Nº 2500 !
"Se não houver frutos, valeu a beleza das flores, se não houver flores, valeu a sombra das folhas; se não houver folhas, valeu a intenção da semente."
(Henfil)
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