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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

ESPINGARDA DE DOIS CANOS



Ouvi, num programa "cômico" de TV, o cara dizendo que a espingarda de dois canos era boa para matar dupla caipira. Tudo bem.
Mas lembrei-me de um acorrido interessante, no primeiro ano de engenharia, com oitenta alunos presentes no auditório, numa aula de Física, com o Professor, amigo e homem de bem, Dr. José Alves Senne.
Ele estava resolvendo no quadro verde, usando giz, um problema que, a partir de alguns dados, indagava qual a velocidade de uma bala, na saída do cano de uma arma, sem especificar que tipo de arma.
Não sei porque cargas dágua (ele se enganou em algum lugar) terminou numa equação, com duas respostas aparentemente aproveitáveis.
Silêncio total no ambiente. O Dr. Zé Alves, de costas para os alunos, checava todos os cálculos no quadro.
Passaram alguns segundos e nada! Mais alguns minutos e nada! Foi quando aconteceu o milagre:
Um aluno, e diga-se de passagem, péssimo aluno, levantou o braço e pediu a atenção do Professor, indagando:
Professor, o Sr. está aí com duas respostas e isso quer dizer duas velocidades diferentes. Pergunto eu, disse o mentecapto: Não se trataria de uma espingarda de dois canos ?
A aula terminou, com um acesso de riso do Professor, que precisou ser acudido.
Essa intervenção passou para os anais da Escola.
ER

É MUITO CARTAZ ! - (12)

OS GIRASSÓIS DA RÚSSIA
Filme muito bom e bonito. Direção de Vitório de Sica, lançado em 1970. Com nada mais ,nada menos de que Sophia Loren e Marcelo Mastroiani.
Música belíssima de Henry Mancini, indicada ao Oscar (trilha sonora). A fotografia de Giuseppe Rotunno é maravilhosa.
Para você lembrar: Casal separado pela segunda guerra mundial. Após anos sem notícias, a esposa (Sophia) vai procurar o marido na Rússia. (Não esqueça do lenço).
Dê uma lembradinha na música clicando em:
ER

MUDANÇA DE COR

O pessoal questionou a mudança de cor ocorrida ontem no "viver é perigoso", feita sem consulta. Afinal o blog é ou não é democrático ? Questiona um amigo.
Gente: Saímos do estilo boutique para o estilo consultório médico, totalmente por acidente. Fui mexendo, mexendo e caiu nesse padrão. Tentei voltar para o passado e não consegui.
Inclusive um outro amigo do ramo de confecções prometeu confeccionar camisetas para presentear os 26 seguidores com as cores antigas. Consegui informá-lo ainda a tempo.
Depois de alguns dias mudaremos de novo.
ER

CONTA-GOTAS

1 - De quatro em quatro anos acontece a eleição para definir o Conselho Administrativo do centenário Clube Itajubense. Esse Conselho, constituido por 30 associados, na sequência irá escolher o Presidente e o Vice-Presidente.
Os demais membros da Diretoria Executiva são indicados pelo Presidente e homologados pelo Conselho.
A tradição mostra que quando se vota para escolher o Conselho, já se sabe quem será o indicado para a Presidência. O mandato do Conselho dura quatro anos, como adiantado acima e o da Diretoria dois anos. Na eleição intermediaria (2 anos) é feita de forma indireta.
Pela movimentação inicial vai ser bastante disputada. Ou não.
2 - Continua lascado o surto de diarréia no litoral norte de Saõ Paulo. A "ligeira" tem derrubado muita gente. Falei ontem com um amigo que está passando a semana em Ubatuba. Ele pegou a dita cuja e informou que a distância de 4 metros até o banheiro é longe. Já está melhor.
3 - Curiosidade: Escrevi outro dia sobre o cemitério dos famosos em Paris. Cémetiere Du Père Lachaise. Lendo Sebastião Nery, fiquei sabendo que entre os túmulos de Allan Kardec e Sarah Bernhardt, está sepultado um brasileiro. O baiano Caetano Lopes de Moura, Médico, escritor e soldado de Napoleão.
4 - De chamar a atenção a primeira parte do relatório da ong Transparência Itajubá, ocupando toda uma página do Jornal "O Sul de Minas". Prometem a divulgação da segunda parte para esta semana.
No final de semana vamos comentar e discutir.
5 - Repararam que 2010 ainda não começou ?
ER

DICA DE LEITURA


A NUVEM

Sebastião Nery - A Nuvem (O que ficou do que passou)
50 anos de história do Brasil
Geração Editorial - 623 páginas.
Para decepção dos mineiros, Nery é baiano. Escreve com estilo mineiro. Nasceu em Jaguaquara na Bahia em 1932. Quase foi Padre e começou a sua vida profissional em Minas. Comunista de carteirinha por uns tempos. Caiu na real com Stalin. Fala de sua vida de 1944 até 1994. Esteve diretamente ou indiretamente envolvido com os acontecimentos políticos nesse período. Para quem gosta de acompanhar os meandros políticos é um prato cheio. Interessante.
ER

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

FRASE DO DIA




"Este problema face a complexidade que se reveste, foge do escopo do nosso curso, razão pela qual, nos limitaremos apenas a enuncia-lo"


Prof. José Milton (Mirtão), escapando pela tangente.


ER

NA FRENTE DAS GRADES


Foi a primeira paixão do Dilson. E o coitado ainda nem tinha completado 16 anos. E foi gostar logo da moça mais bonita da Boa Vista. E pior, ela já namorava firme, um bom rapaz, boa pinta e além de tudo, já na engenharia, o que naquela época, parecia ser um grande negócio.
O amor, justificavelmente, não correspondido levou Dilson a primeira carraspana (vá olhar no dicionário preguiçosa). No sábado a noite, no Café Ponto Chic (hoje farmácia), gastou toda a mesada, com umas pingas com groselha e uma lasca de queijo parmesão.
Quando voltou para a casa, já próximo da meia-noite, sentiu a Rua Nova estreita demais. Quanto mais andava em direção a Boa Vista, mais a visão embaralhava e coisas desconexas lhe passavam pela cabeça.
Quando passava em frente ao Açougue do Sr. Gilberto, não deu mais. Abraçou as grades da porta, segurou firme e cochilou, mesmo de pé.
De vez enquando, abria os olhos e enxergava na penumbra do açougue, vacas, galinhas e leitoas, todas nuas. Começou a delirar, segurando firmes nas grades de aço da porta do açougue.
Ali pelas duas da manhã, quando começou a tomar consciência das coisas, imaginou-se preso atrás das grades e começou o berreiro.
Clamava em altos brados, balançando as grades: Tirem-me daqui ! Eu não fiz nada para estar preso! Soltem-me! e chacoalhava violentamente as grades da porta do açougue.
O Sr. Guilherme, que morava ao lado e já estava dormindo, acordou assustado e saiu para a rua ver o que acontecia.
Olhou pela janela, reconheceu o Dilson e foi até ele buscando uma explicação.
Que isso menino ? O que está acontecendo ?
Dilson, meio mortaço, falou: Moço (não reconheceu o Sr. Guilherme), arruma um jeito deles me soltarem. Eu não fiz nada para estar preso. Sou de menor.
No que o Sr. Guilherme disse: Mas Dilson, soltar de que jeito ? Você está do lado de fora.
Dilson franziu o cenho, respirou fundo e caiu na real.
Disse, PQP ! e sumiu na estrada.
Não saiu na rua por uns bons tempos e até esqueceu da moça.
ER


TEMPO PERDIDO


A CABEÇA DE VACA

A Família, num grande esforço, deu-lhe como presente de natal um "Scandalli" vermelho cocada, uma "cabeça de vaca", ou melhor, um acordeon. Era moda nos anos 50, principalmente pelo sucesso de Luis Gonzaga, o rei do baião.
Matriculou-se no conservatório de música da Dna Ruth Chiaradia, na Rua Miguel Braga, com seis anos e na mesma época assumiu o posto de coroinha do padre Generoso na Igreja São José.

Sem faltar sequer a uma aula , estudou por doze anos. Era orgulho musical da Boa Vista, chamado de "garoto prodígio".

De ouvido era zero, apesar do grande tamanho das orelhas. Tocava como manda o figurino, à sombra das partituras. Tinha centenas delas, acumuladas com o tempo.

Era muito esperado nos aniversários de parentes que sempre lhe pediam para tocar a valsa " 25 anos". As tias choravam quando ele tocava "beijinho doce" e os tios se empolgavam quando ele arrancava o dobrado " São Paulo Quatrocentão".

Com a chegada da bossa nova e do rock, a "cabeça de vaca" saiu de moda. Pior, era motivo de gozação entre os jovens.
O instrumento foi guardado ,ou melhor,escondido em cima de um guarda-roupa.
No primeiro ano da escola de engenharia, por razões humanitárias o pessoal resolveu, em votação, fazer uma serenata para o moça mais feia e chata da cidade e também a mais metida.
Convenceram o músico a levar a "cabeça de vaca" e tocar umas valsas.
Fiquei responsável por carregar o estojo do instrumento(que mais parecia uma mala) e as partituras.
A cachaça foi rolando, rolando e quando o grupo saiu para a serenata já estavam todos animados.
Embaixo da janela da moça, o concerto começou. Um vizinho, conhecendo bem a homenageada, abriu a janela e gritou: Ô pessoal, não é engano?
Enquanto o moço tocava a segunda música do repertório escolhido a dedo, o calado Tião Bordé, encarregado da garrafa, começou a despejar o precioso líquido no fole do acordeon. Foi uma garrafa quase inteira. Tanto que pingava por baixo e saia por todos o registros.
O músico, meio que piaco, não observava nada.
Foi quando soou a sirene da Rádio Patrulha. A bruxa tinha chamado a polícia. A correria foi geral.
Eu carregando o estojo saltei para um terreno baldio na Francisco Masseli. Os outros se distribuiram em fuga pelas ruas adjacentes.
O moço do acordeon corria com o bicho preso ao corpo por correias, chamando atenção. Não teve alternativa.Atravessou o rio Pinheirinho com a sanfona na cabeça e escondeu-se no mato.
A RP parou, olhou, olhou... e não vendo ninguém, foi embora. Devagar, a turma cheia de lama foi se reencontrando.
No dia seguinte fui estudar na casa do acordeonista e, vejam só, o acordeon estava aberto e estendido no varal, na tentativa de evaporar o cheiro de cachaça. Nunca mais o cheiro deixou o instrumento.
Só para informação: logo em seguida ao fato, a moça da serenata resolveu entrar para o convento.
Dizem as más linguas que esse fato contribuiu para o aumento da população de evangélicos da cidade.

ER