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terça-feira, 6 de outubro de 2026

PORQUE VIVER É PERIGOSO



O nome do blog "Viver é Perigoso" foi da admiração pelo romance "Grande Sertão: Veredas" escrito pelo autor brasileiro João Guimarães Rosa e publicado pela Livraria José Olympio Editora, em 1956.

Aí vão algumas tiradas que fazem pensar.

“O real não está no início nem no fim, ele se mostra pra gente é no meio da travessia”.

“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

“Apertou em mim aquela tristeza, da pior de todas, que é a sem razão de motivo”.

“A gente morre é para provar que viveu”.

“Viver é muito perigoso: sempre acaba em morte”.

“Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou – amigo – é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por que é que é”.

“Tem horas em que penso que a gente carecia, de repente, de acordar de alguma espécie de encanto”.

”A colheita é comum, mas o capinar é sozinho”.

“Viver é um descuido prosseguido”.

“Passarinho que debruça – o voo já está pronto”.

“Sou só um sertanejo, nessas altas ideias navego mal. Sou muito pobre coitado. Inveja minha pura é de uns conforme o senhor, com toda leitura e suma doutoração”.

“Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”.

“Deus é paciência. O contrário é o diabo”.

“O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando”.

“Quem desconfia fica sábio”.

“Ser ruim, sempre, às vezes é custoso, carece de perversos exercícios de experiência”.

“Medo, não, mas perdi a vontade de ter coragem”.

“Eu careço de que o bom seja bom e o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! (…) Este mundo é muito misturado …”.

“Mas, na ocasião, me lembrei dum conselho de Zé Bebelo, na Nhanva, um dia me tinha dado. Que era: que a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar de ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente”.

“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”.

“Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”.

“Rir, antes da hora, engasga”.

Viver é Perigoso


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