Rio de Janeiro, 17 de setembro de 2026
Meus leitores jairzistas – a quem agradeço pela fidelidade com que não perdem o que escrevo neste espaço-- costumam me honrar com a pecha de comunista. mas, no meu caso, lamento decepcioná-los.
Não sou nem nunca fui comunista. Sou Flamengo, o que me satisfaz com sobras em matéria de fé ideológica e partidária.
Não só isso como, cercado de intelectuais, artistas e colegas teoricamente de esquerda, há muito não sei de nenhum comunista entre eles.
Bons tempos para ser comunista deviam ser de 1945 a 1947, quando p PCB (Partido Comunista do Brasil) estava na legalidade,, disputava eleições e tinha como filiados Jorge Amado, Graciliano Ramos, Astrojildo Pereira, Oscar Niemeyer, Villa-Lobos, Guerra Peixe, Carlos Scliar, Portinari, Di Cavalcanti e o Barão de Itararé.
Ou durante a ditadura, com João Saldanha, Ferreira Gullar, Dias Gomes, Enio Silveira, Nelson Pereira dos Santos, Oduvaldo Vianna Filho, Gianfrancesco Guarnieri, Carlinhos Lyra e Nora Ney.
Os últimos comunistas que conheci foram Jararaca, coautor de "Mamãe Eu Quero", Ziraldo e Bussunda, e já faz tempo.
E como posso ser comunista se sou fã de John Wayne, do marinheiro Popeye e de Doris Day?
Ruy Castro
Viver é Perigoso

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