Antes que me torne um eremita completo, ocuparei este espaço para falar e discutir um pouco, com simplicidade, sobre a vida, com suas alegrias e tristezas. Pode ser que acabe falando comigo mesmo. Neste caso, pelo menos prevalecerá a minha opinião.
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terça-feira, 30 de outubro de 2012
MARCOU ÉPOCA
Às vésperas de completar 47 anos, circulará amanhã pela última vez em São Paulo, o "Jornal da Tarde".
Marcou todos nós que começamos a trabalhar e viver na cidade no início dos anos 70. Era leitura diária e obrigatória.
Nosso primeiro carro, com certeza, foi comprado após consulta ao "Jornal do Carro", caderno que saia às quarta-feiras.
Foi marcante a cobertura que o "JT" deu a campanha das Diretas Já". Reportagens claras, charges e uma parte de esportes espetacular.
A capa com o menino torcedor chorando a derrota da seleção brasileira para a Itália na Copa de 82, na Espanha, sensibilizou a cidade.
O "JT" chegou a ter uma circulação diária de 190.000 exemplares. Este ano tem circulação próxima de 37.000 exemplares.
O responsável maior pelo jornal (do Grupo Estadão) foi o jornalista Mino Carta, que com o tempo foi ficando estranho, estranho e hoje dirige a revista, praticamente governista, "Carta Capital".
Em Sampa, passarei por uma banca para comprá-lo pela última vez.
ER
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
MALEMÁ MAIS VAI
No último seis de outubro, às vésperas das eleições, o blog vivereperigoso.com completou 3 anos de vida. Pode parecer pouco, mas não é.
Até hoje, 8.980 postagens e 13.177 comentários foram publicados.
Não foram poucos os comentários recebidos e não publicados por cuidados do zelador. Alguns escaparam.
O controle numérico de acessos ao blog foi iniciado quase 1 ano após a sua fundação (aconteceu mudança de endereço). Totalizam hoje 246.000.
Curiosidade: O recorde de acesso diário (ultrapassou a 1300) aconteceu num dia muito triste.
Creio que se fechar amanhã, já poderei cartear que fui blogueiro.
Tem sido agradável.
Zelador
O CERTO E O COERENTE
Neste conjunto de coincidências, finitas ou infinitas que é a existência, o espaço para certezas parece sempre ser muito reduzido. Verdade permanente, imutável e incontestável é algo que nunca encontrei.
Um ex-chefe e atual amigo me disse, décadas atrás, que estar certo é melhor do que ser coerente. Ser coerente é compromisso com a certeza. Certezas, por serem imutáveis, quando tomadas como único e exclusivo critério de decisão, levam fatalmente a erros permanentes. Certezas desenvolvem a capacidade toxica de ignorar dificuldades e contradições.
Certezas são permanentes demais. Melhor sempre estar convicto do que ter certeza. Convicções são sempre temperadas pelas dúvidas. Dúvidas abrem os olhos; aguçam os sentidos; iluminam os caminhos; geram a critica permanente; garantem a fidelidade das ideias; servem de limite à coerência.
Dúvidas moldam o pensamento à semelhança da realidade. Dúvidas não têm compromisso com o erro.
Convicção é sempre transitória. A convicção precede a ação. Permite que se compare intenção e fato. E aceita o resultado com olhos abertos. A convicção admite mudança. Mudam os fatos, muda a realidade, mudam as convicções. A convicção não permite que a consciência seja escrava da coerência.
Convicção é crença com razão. É acreditar em algo para não acreditar em qualquer coisa. É adaptar o pensamento quando as razões se transformam. É a lembrança permanente, e sempre educativa, de que tudo é mais complexo do que somos capazes de perceber.
O que se faz sob pressão, quando as coisas não vão bem, define o que se é e no que se acredita. Crises testam o aço das convicções. Nelas, o conjunto de convicções orienta a ação. Na encruzilhada, é a convicção, não a certeza, o recheio das decisões acertadas.
Grandes desastres começam com certezas. Grandes realizações se alimentam de convicções.
Melhor estar convicto do que ter certeza.
Elton Simões (escreveu no Noblat)
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