Interessante ler os grandes jornais brasileiro de 1918, principalmente no período de agosto a novembro, quando o País foi assolado pela "gripe espanhola".
Wenceslau Braz já estava no final de seu governo e o novo presidente, Rodrigues Alves, que deveria tomar posse em 15/11/1918, já tinha sido eleito (seria seu segundo mandato) em pleito realizado em 01/3/1918.
Registrou-se críticas severas ao então Diretor Geral da Saúde, hoje seria Ministro da Saúde, Carlos Seidel e lógico, ao presidente Wenceslau Braz.
Segundo a história, a morosidade em estabelecer medidas profiláticas e as limitações estruturais que afetavam as instâncias de saúde durante o combate à epidemia de gripe despertaram a ira popular, com acusações de incompetência administrativa e de ausência do estabelecimento de estratégias para defender a população do mal que os ameaçava.
Registre-se que faltavam poucos dias para o término do governo Wenceslau Braz.
Pressionado, em 16 de outubro de 1918, o diretor da Saúde Pública Carlos Seidel, pediu a censura dos jornais que, segundo ele, acabavam por incutir crescente pânico na sociedade carioca e ameaçavam a preservação da ordem pública. Não conseguiu.
A situação de Carlos Seidl passou a ser insustentável diante dos ataques maciços da imprensa e de vários representantes políticos da capital federal.
Segundo os jornais, Wenceslau Braz designou o seu oficial de gabinete Elmano Cardim para cobrar, do responsável pela saúde, Carlos Seidel, soluções para a morosidade na organização dos socorros públicos e, conseqüentemente, pela expansão da epidemia.
No dia 18 de outubro, o país tomava conhecimento do pedido de demissão de Seidl, que fora substituído por Theophilo Torres.
Comentado, que tal exoneração foi uma tentativa de dar uma resposta pública diante das críticas à impossibilidade de conter a expansão da moléstia e socorrer a população diante do colapso social que se instaurara.
Em tempo, Wenceslau governou até 15/11/1918, quando deveria assumir o presidente eleito, Rodrigues Alves, que não tomou posse por estar enfermo (gripe espanhola). Tomou posse o seu vice, Delfim Moreira. Rodrigues Alves faleceu em 16/01/1919.
Estima-se, que 35 mil pessoas morreram no Brasil devido a "gripe espanhola".
Viver é Perigoso