Tomou o barco, em São Paulo, o Sr. Roberto Gama Duarte. A sua última fotografia foi tirada num almoço no apartamento do seu aluno Paulo Noronha, levado que foi pelo Wellington Etrusco. Moços de São Gonçalo do Sapucai.
Em janeiro de 74, quando conclui o curso de engenharia elétrica, não sabia no que gostaria de trabalhar. Sabia muito bem, no que não queria, graças as experiências de muitos estágios durante o curso.
Meio sem rumo, fui convidado pelo Paulo Noronha para trabalhar com ele na Abinee - SP.
Aceitei de imediato, pois não tinha muito a ver com engenharia .
Maravilha: Trabalhava na mesma sala que o Wellington Etrusco e uma figura impar, que se tornou de pronto o meu guru para todos os seguimentos (creio que já exercícia essa função junto aos outros). Sr. Roberto Duarte.
Já lá vão 37 anos. Trabalhamos poucos anos juntos. Nos pensamentos, estivemos próximos a vida toda.
Extremamente humano, cultura vastíssima, memória admirável e firme posição política.
Divergimos políticamente uma só vez enquanto estivemos juntos. O tempo provou que eu estava errado. Fui Quércia para o Senado, contra o respeitável Carvalho Pinto.
Deu Quércia e o Brasil perdeu.
Muito alegre e um inteligente brincalhão. Cansou-se de me colocar em posições tipo "saia justa". divertia-se com isso.
Peguei-o de jeito uma vez (almoçávamos a semana toda juntos - ele, Wellington e eu). Ele detestava fígado. Um dia lhe enganei e coloquei no seu prato um bife de fígado à milanesa. Estava bem disfarçado, com uma cobertura grossa.
Durante o almoço, com ele contando uma de suas criativas histórias, cortou o bife sem olhar e levou um pedaço a boca.
Fez uma cara de bravo, colocou um guardanapo sobre a boca, levantou-se e retirou-se da mesa e do restaurante. Passou uns dias sem conversar comigo.
Lógico que vingou-se. Mas fica para outra.
Aprendi muito com o pessoal de São Gonçalo, mas muito mais com o Sr. Roberto Gama Duarte.
Foi uma das melhores pessoas que conheci na vida.
ER