Como as pessoas formam suas identidades, suas visões de mundo, seus modos de ser, agir e pensar? Uma explicação é que se trata de um processo que ocorre ao longo da vida, à medida que vamos tendo contato com diferentes grupos sociais: primeiro a família, depois a escola, o trabalho, a Igreja, grupos de amigos — e, hoje em dia, a mídia, sobretudo a digital. É esperado que cada um desses contatos deixe em nós suas marcas, com assimilações que variam de indivíduo para indivíduo.
Nesse aspecto, universidades ocupam um espaço desproporcional no debate público. A ideia, propagada pela extrema direita, é que elas seriam "centros de doutrinação", onde docentes — "ministrantes travestidos de professores", sempre no léxico do grupo — converteriam massas indefesas de estudantes a bandeiras de esquerda: "ideologia de gênero", "transexualismo", "comunismo".
A tese é falsa. Um estudo recém-publicado nos Estados Unidos buscou medir o suposto "efeito doutrinador" de professores de renomadas universidades. O estudo considerou "nula" a influência dos docentes.
A pesquisa aponta que o convívio com os colegas, a vida universitária e as discussões e debates em que os jovens participam fora das aulas são os principais responsáveis pelas mudanças de posição.
Se as faculdades fossem eficientes madrastas de doutrinação de esquerda, o País seria predominantemente progressista. A realidade das urnas e o perfil eleitoral das populações mais escolarizadas mostra o oposto: existe enorme parcela de eleitores conservadores nas populações de alta escolaridade.
A pesquisa aponta que, em vez das aulas ou da influência dos docentes, mudanças de posições políticas são movidas por uma complexa rede de convivência universitária extraclasse.
Em vez de punir professores, os pesquisadores indicam que o caminho mais eficiente para desarmar o Fla-Flu ideológico reside em quebrar as bolhas de amizades, promovendo interações no campus entre estudantes que pensam diferente.
Rodrigo Ratier
(Interessante ler o artigo completo no site Uol do dia 05/7/26)
Viver é Perigoso

Nenhum comentário:
Postar um comentário