"O Garimpeiro da Memória" - Jacob Blanc - Editora Garamond - 370 páginas.
Aluízio Palmar e a Sombra da Ditadura -
Em dezembro de 2019, Aluízio Palmar, um ativista de direitos humanos e ex-preso político, foi processado por difamação por seu próprio torturador, um tenente aposentado do Exército.
Ambos já tinham quase 80 anos e não se viam desde 1969, quando o tenente submeteu Aluízio, na época com 26 anos, a intensas torturas físicas e psicológicas.
Palmar havia sido preso por sua atuação como militante revolucionário, um dos cerca de cinco mil brasileiros a maioria jovens que pegaram em armas contra a ditadura que governou o Brasil de 1964 a 1985.
Para Aluízio, ser processado por seu antigo torturador não suscitou a volta de lembranças reprimidas. Longe disso. Desde o final dos anos 1990, ele estava em um modo quase constante de autobiografia.
Após encerrar sua carreira como jornalista em Foz do Iguaçu, começou a procurar os corpos de seis militantes que haviam desaparecido em 1974 nas mãos do regime militar. Vários deles participavam da mesma organização que Aluízio, e ele próprio quase caíra na armadilha que levou à sua morte.
Contar a história da vida de Aluízio e o roteiro de memória em que ela é narrada revela uma série de buscas sobrepostas uma busca pela importância da periferia da história, uma busca pelo lugar de alguém em narrativas históricas maiores e uma busca por justiça.
Viver é Perigoso

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