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quarta-feira, 24 de junho de 2026

JUÍZO MOÇADA !




Jogo duríssimo em Los Angeles no dia 13 de julho de 1994. Brasil x Suécia disputavam a semifinal da Copa Do Mundo.

Bar Caçador lotado de olho na experiente Telefunken colorida de 26 polegadas, com o colorido reforçado por uma folha de plático arco-iris. O experiente vem da participação nas duas copas anteriores, 1986 no México e 1990 na Itália.

Silêncio só quebrado pela voz fanhosa do locutor e pelo trincar dos lambarizinhos fritos e crocantes do mestre Carlos Riera.

Não existia local mais democrático na terrinha do que no Bar Caçador. Sem necessidade de quotas ou cotas, as minorias conviviam com a maioria numa boa.

Mas naquele momento de decisão a coisa deu de extrapolar.

Um alienígena, não cliente do Caçador e recentemente chegado na República da Boa Vista, torcendo, através de gestos e exclamações, descaradamente, para a Suécia.

Descendente de suecos não devia ser. Como sempre dizia o Paulo Socó, do vizinho, amigo e quase uma extensão da Boa Vista, bairro da Avenida: - Passou das 18 horas é meia-noite. O moço "sueco" era bem moreno.

Jogo duro e o pessoal brasileiro perdendo a paciência. Não com o time, mas com a torcida feita pelo "gringo".

No intervalo, os mais revoltados exigiram uma reunião com proprietário (Carlos Riera), exigindo a expulsão do torcedor sueco. Foi pedido calma em nome das tradições diplomáticas da Boa Vista.

Segundo tempo tenso.

Explosão total quando o baixinho Romário, de cabeça, marcou o gol do Brasil (que venceu a partida por 1x0). Na comemoração todos se voltaram para o "sueco", que após alguns segundos de hesitação, juntou-se a comemoração.

Vira-casaca ?

Não. O nosso "sueco", na realidade recém chegado da Bahia para trabalhar na Fábrica de Armas, torceu errado, uma vez que a seleção canarinho jogou com camisetas azuis e a Suécia, com a tradicional amarelinha.

Desfeito o mal estar, uma rodada por conta da casa.

É a vida.

Viver é Perigoso

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