Importante o artigo do Oliver Stuenkel publicado no OESP sobre a pesquisa global do Pew Research Center sobre pesquisa de opinião pública global sobre EUA e China.
Entre fevereiro e maio, deste ano, o Pew entrevistou mais de 42 mil pessoas em 36 países. O resultado marca uma virada histórica: na maioria deles, a China é hoje mais bem avaliada do que os Estados Unidos.
Nos 20 países acompanhados anualmente, a avaliação positiva dos EUA despencou de 58%, em 2023, para 36% neste ano. A China foi de 32% para 46%.
Os EUA mantém vantagem estatisticamente em apenas seis nações: Índia, Japão, Filipinas, Coreia do Sul, Israel e Polônia.
Na comparação entre líderes, Xi Jinping inspira hoje mais confiança do que Donald, 31% ante 21%.
Descrevem a China como parceira confiável, 69%. Dos EUA, 49%. 75% veem Washington como potência que interfere nos assuntos alheios - percepção que apenas 45% associam a Pequim.
O Brasil aparece dividido. 47% veem os EUA com simpatia, e 46% a China, um empate técnico.
Ainda sobre o Brasil, mais revelador é o corte ideológico.
Entre brasileiros de direita, 58% avaliam bem os EUA, ante 30% dos de esquerda. Com a China, o quadro se inverte - 57% de aprovação à esquerda, 40% à direita.
Em um ponto, porém, os brasileiros convergem: 76% dizem que os EUA interferem nos assuntos de outros países; 50% dizem o mesmo da China.
Conclusão:
Nessa hora em que Washington e Pequim disputam os corações e mentes do planeta na corrida tecnológica, governos decidem quais sistemas de inteligência artificial vão adotar.
Oliver Stuenkel - Professor de Relações Internacionais da FGV
Viver é Perigoso

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