Aconteceu ontem (3), em Itajubá, a cerimônia que marcou o início das operações do Centro Tecnológico para o Pré-sal Brasileiro (CTPB), O evento teve caráter simbólico, uma vez que o CTPB já operava desde o início do ano em fase de testes.
O evento reuniu representantes da Petrobras, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), da Unifei e de parceiros envolvidos no projeto.
Com investimento de R$ 300 milhões, estrutura instalada em Itajubá (MG) reproduz pressão, temperatura e fluidos do pré-sal para testar equipamentos para a exploração de petróleo.
À primeira vista, pode parecer estranho que um centro voltado ao pré-sal tenha sido construído em uma cidade sem litoral. A mais de 400 quilômetros do litoral, em uma cidade cercada por montanhas no Sul de Minas.
A explicação está menos na geografia e mais na história da engenharia desenvolvida na cidade. A parceria entre Petrobras e Unifei começou há mais de 30 anos e se intensificou com projetos de pesquisa voltados ao setor de óleo e gás. Ao longo desse período, professores e pesquisadores participaram do desenvolvimento de tecnologias que abriram caminho para a implantação do CTPB.
O CTPB foi criado para enfrentar um dos maiores desafios da indústria petroleira: testar equipamentos em condições praticamente idênticas às encontradas no fundo do mar, antes que eles sejam levados para operar a milhares de metros de profundidade - onde uma falha pode significar prejuízos financeiros e interrupção da produção. A estrutura permite reproduzir o ambiente encontrado no pré-sal utilizando petróleo, água e gases reais, submetidos às mesmas condições de pressão e temperatura existentes nos reservatórios marítimos.
Segundo a Petrobras, esta é a primeira instalação do mundo projetada especificamente para reproduzir as características dos campos brasileiros, que possuem elevada concentração de dióxido de carbono (CO₂). Sua função é servir como uma espécie de "campo de provas" para equipamentos que, no futuro, poderão operar em plataformas instaladas no oceano.
Para os poucos que estão chegando agora, o pré-sal é uma camada de rochas localizada abaixo de uma espessa camada de sal no fundo do oceano. Os reservatórios ficam a milhares de metros de profundidade. As condições extremas exigem equipamentos específicos para a exploração.
O primeiro grande projeto que utilizará a estrutura do CTPB será o HISEP (Sistema de Separação Submarina de Alta Pressão), tecnologia desenvolvida pela Petrobras para mudar a forma como parte do petróleo é processada no pré-sal. Hoje, óleo, água e gases chegam juntos até a plataforma, onde ocorre a separação. A proposta do HISEP é antecipar parte desse processo para o próprio fundo do mar. Com isso, o gás rico em CO₂ poderá ser reinjetado diretamente no reservatório, enquanto apenas o petróleo seguirá para a plataforma. Além de reduzir emissões de carbono, a tecnologia também diminui a necessidade de equipamentos na superfície e pode reduzir custos.
Informações colhidas no G1
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