Na manhã bonita, fria e de sol gostoso, resolveu fazer algo que há séculos não lhe interessava.
Apanhou uma conta de luz deixada na caixa de correio e se dispôs, segundo murmurou, ir caminhando até o Banco Real para quitá-la.
De cara, na esquina da Miguel Braga com a Praça 19 de março, estranhou ver a Padaria Boa Vista e o Bar Caçador com a portas cerradas. Pensou: preciso verificar. Algo pode ter acontecido com os Riera.
Barbearia do Anibal estranha. Muitos guarda-chuvas para consertar, vazia de clientes e com ar de abandono.
Raciocinou: não devo estar batendo bem. Um tal brechó no lugar do Açougue do Sr. Gilberto e nem sombra do Fernet. Sumiu a venda do Sr. Guilherme Cardoso, mas a sapataria do Sr. João Novaes está firme.
Estranho: Não encontrou pelo caminho aqueles que há pouco era normal. Nada do Sr. Zé Machado, Dr. Adílio, Luizinho Instrumento, Pastor Afonso, Sr. Aristeu Alfaiate e nenhum dos Peixoto.
Crédo ! devia estar vendo miragem. Um hotel no lugar do Bazar Fukaiama, uma boutique no local do Café Hélio. E a bicicletaria do Zé Rosa ? Nada da Dona Ruth da Escola de Datilografia e o seu carrinho preto tipo galocha estacionado.
Pensou em passar na farmácia do Sr. Vitor ou na do Sr. Ruy Braga. Mistério: uma papelaria e loja de bugigangas nos locais.
Preocupação: Vidraçaria São José também fechada.
Resolveu dar uma parada no barzinho do Sr. Borelli para um reforço. Loja de sapatos.
Melhor dar uma esticadinha e tirar as dúvidas com o Baiano na barraca no cruzamento da linha férrea, em frente ao Hotel Sion.
Péra aí pensou: Melhor voltar para casa enquanto consigo achar o caminho de volta. Não achou o Baiano, o Hotel Sion e tão pouco a linha de trem. E pior de tudo, jura que viu uma aeronave ou algo parecido, estacionado ao lado do soldado.
E a conta de luz ? sei não..;vai que não tem mais o Banco Real.
Sei não...
Viver é Perigoso

Um comentário:
Tudo passa ...tudo muda...É a vida.
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