Translate

domingo, 10 de fevereiro de 2019

MAIS OU MENOS ASSIM


"Brasil não é um país normal. O Brasil é uma perua Kombi velha que se mantém rodando graças a uma combinação de fita crepe, massa epóxi e a velha certeza de que tudo vai terminar bem - desde que outra pessoa cuide do estrago quando der errado."

Marcos Nogueira

Viver é Perigoso

AQUI JAZZ !



Viver é Perigoso

NADA COMO UM DIA APÓS O OUTRO


Deu no Blog Viver é Perigoso, no dia 05 de agosto de 2011

"Hoje, sequer os militares foram ouvidos quando da indicação do novo ministro (agora é da defesa).
Foi indicado o Sr. Celso Amorim, que com certeza não serviu nem ao exército. Deve ter sido dispensado.
Estamos mal e os militares esquecidos. Nem todos, pois recentemente alguns foram até acusados de corrupção e nem puderam se defender.

Em tempo, disse hoje o grande filósofo Lula: "Não cabe aos militares gostar ou não da indicação da presidente"

Blog: Está certo. Mas foi grossura declarar desse modo."

Viver é Perigoso

OUTROS TEMPOS - 1


O amigo e ex-prefeito Ambrósio Pinto se lançou candidato a Deputado Estadual. Com muita determinação e coragem saiu em campanha pelo Sul de Minas, no seus Corcelzinho Branco e o fiel amigo Gibi. Dom Quixote e Sancho lutando contra moinhos.

As dificuldades para bancar a campanha eram muitas. Entrou em ação o chamado Grupo dos Onze. Amigos que se reuniam no Restaurante Dom Cesário, que existiu na Praça Theodomiro Santiago.

Tocou para três deles, Américo (ex-Cofap), Coli (seguradora) e Edson Riera, procurar 40 pessoas escolhidas (inclusive os onze) para preencher um livro com a participação individual de R$ 1 mil (em moeda e valor da época). Compramos o livro na papelaria do Hélio - Rua Nova e saímos em campo. Se não me engano, o Senhor Dito (BPS) foi o primeiro a assinar. Rapidamente conseguimos os 40 mil que foram entregues em mãos ao Ambrósio.

Após a sua eleição, numa quarta-feira, num encontro semana no Dom Cesário, o livro foi entregue como lembrança para o nosso Deputado Ambrósio Pinto.

Era a Itajubá da época.

Viver é Perigoso  

OUTROS TEMPOS


Tive a honra de ter um bom relacionamento com o Dr. Eduardo Azeredo. Teve a gentileza de me atender algumas vezes como Governador do Estado e muitas outras no seu Gabinete do Senado. Quase todas foram visitas de cortesia e pedidos para tentar que acontecesse alguma coisa não interessante para a terrinha.

O tempo e a experiência de vida nos proporciona uma certa capacidade de conhecer as pessoas. Sempre achei o Dr. Eduardo, sério e correto. Continuo achando. Em outros tempos, conforme apurado pela justiça, de uma forma ou de outra, esteve bem próximo da autorização de recursos públicos para campanhas eleitorais. Está pagando um preço altíssimo.

Não usou recursos em benefício pessoal. Não acumulou riquezas e trabalhava até ter sido condenado e preso.

É a vida...

Viver é Perigoso

sábado, 9 de fevereiro de 2019

CANTINHO DA SALA

Joan Miró
Viver é Perigoso

EM BREVE

Viver é Perigoso

COZINHA BRUTA


Marcos Nogueira - Folha de São Paulo

A essência da comida brasileira não está na vanguarda de tons amazônicos de  Alex Atala. Não está nos resgate etnográfico das pesquisadoras Mara Salles e  Ana Luiza Trajano. Tampouco está no trivial cangaceiro do sertão do Seridó, de  Rodrigo Levino.

A alma da cozinha brasileira está no restaurante por quilo.

Ou restaurante a quilo, se você preferir. O cacófato é inevitável.

Num país normal, o conceito de “comida típica” é claro e evidente: entre em qualquer restaurante despretensioso, com serviço de mesa, para comer o que os locais comem.

É assim na Itália, na França, no Japão, na Argentina.

O Brasil não é um país normal. O Brasil é uma perua Kombi velha que se mantém rodando graças a uma combinação de fita crepe, massa epóxi e a velha certeza de que tudo vai terminar bem –desde que outra pessoa cuide do estrago quando der errado.

Enquanto as massas nos trens se entopem de  salgadinho Fofura, os chefs se ocupam de uma imagem romântica da nossa cultura alimentar. De algo que, se ainda não foi extinto, está sob forte ameaça.

Nada, nadíssima contra isso. Precisamos de heróis como  Janaina Rueda,  Rodrigo Oliveira e Marcelo Correa Bastos para preservar a tradição moribunda.

Língua ensopada, sarapatel, camarão com chuchu, arroz de suã, rabada, dobradinha, baião-de-dois, virado à paulista, moqueca, angu, cuscuz de sardinha, mungunzá, carreteiro, tropeiro, tacacá, quibebe, isso tudo está virando comida de restaurante.

Cada vez menos o brasileiro se mete a besta de cozinhar coisas assim em casa.

A cozinha caseira agoniza porque foram-se o tempo e as habilidades. Poucos ainda têm mão-de-obra doméstica cativa. A refeição colonial cedeu lugar ao restaurante por quilo –o brasileiro não abre mão de misturar, no mesmo prato, o conteúdo de várias panelas.

É lá que o sr. Brasilino come:

Estrogonofe de frango, conchas de macarrão aos quatro queijos, arroz de forno, parmegianas de qualquer material, salada de quinoa, rúcula com tomate seco, batata smile, sushi de pepino e de manga, molho golf, ovo de codorna, couve-flor empanada, lasanha com presunto e carne moída, costelinha ao barbecue, batata-palha industrial, sal rosa, bolinho de arroz, quindão, pavê de bolacha maisena e um Sonho de Valsa com o cafezinho.

Goste ou não, esta é a dieta do brasileiro urbano médio. Ela funde a tentativa de ser cosmopolita com uma visão distorcida da alimentação tradicional.

A culinária real do quilão conversa muito pouco com a gastronomia idealizada dos chefs. A exemplo de quase tudo por aqui, o meio-termo é um vasto espaço vazio. Haja fita crepe para construir essa ponte.