Conversa de itajubenses da
"velha guarda", no final de semana prolongado e com conclusões não
concluídas.
Aquelas conversas que vão indo,
vão indo e se encerram com as pessoas em silêncio esquisito, olhando para o
horizonte com um se levantando e dizendo após um suspiro pesado:
- A conversa tá boa mas temos
que dar um jeito na vida.
A Fabrica de Armas de Itajubá,
posteriormente chamada de Imbel, contribuiu muito para o desenvolvimento da
cidade. Talvez não tanto pelo recolhimento de impostos diretos, mas muito pelos
indiretos gerados pelos salários.
Produz armamentos há quase 80
anos. Pelos seus escritórios e unidades de produção passarão homens de alto
gabarito e grandes cidadãos. Famílias foram constituídas e criadas.
Incontestável a positiva
participação da Imbel na vida política, cultural e esportiva da
cidade.
Lá funcionou durante muitos
anos, internamente, uma categorizada escola formadora de mão de obra
especializada.
Até aí, justo
reconhecimento.
Lado ruim de
pensar:
Quase oitenta anos produzindo
armas. Equipamento de primeira linha. Qualidade inquestionável. Durabilidade
quase eterna. Armamento sempre individual.
Para onde foram tantos
mosquetões ? onde foram parar uma enormidade de fuzis FAL e suas evoluções
técnicas ? Qual o destino de milhares (ou seriam milhões) de pistolas e
revólveres de grosso calibre de uso exclusivo ?
Não produzem armamento para tiro
ao alvo e caça esportiva.
Nos alivia o argumento sempre
utilizado pelos seus próceres, segundo os quais, dali saem armas de defesa e não
de ataque.
Uma enormidade, com certeza,
está espalhada pela América do Sul. Outro tanto, pelo Continente Africano e
países árabes. Saibam lá a quantidade que frequentou e frequenta os armários do
submundo.
Para todos da terrinha que têm o
pensamento girando em 360 graus, trata-se de uma questão no mínimo
desconfortável.
Mas é uma
realidade.
ER
Hoje, deu no "O Globo"