
Encontrei hoje de esbarrão com o Carbone em um restaurante da terrinha. Em tempo, trata-se de um grande amigo e colega do curso de engenharia concluido há séculos.
De imediato constatei que fisicamente o tempo o poupou. Logicamente, em comparação com um senhor que encontro todas as manhãs em frente ao espelho.
Para pessoas que ultrapassaram a temível barreira dos 60, seguiu-se, por iniciativa dele, uma conversa com leveza e fluidez, surpreendentes.
Tentei acompanhar com relativo sucesso o tema principal abordado: Futuro.
O tempo fugiu.
Despedimo-nos na porta do restaurante de onde ele voltaria direto para São Lourenço, sua terrinha.
Diante de um espectador atônito, o moço encarapitou-se com facilidade numa Honda Shadow 750 prateada, colocou o capacete, acenou despretensiosamente e com uma acelerada de tirar o fôlego, sumiu na curva.
E eu lá arfando debaixo do sol inclemente, lutando para conseguir abrir a porta do carro.
Todos estivemos sob intempéries na vida. Em um momento ou outro. Desgastes foram provocados em uns, mais do que nos outros.
Senti uma inveja gostosa.
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