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sábado, 21 de janeiro de 2012

DIFÍCIL DE IMAGINAR

Durante toda a semana muito se falou sobre a Elis Regina. Grande interprete do país. Talvez a melhor de todos os tempos.
Falou-se também da doce Nara Leão, que se não tivesse tomado antecipadamente o barco estaria completando seus 70 anos.
Não consigo imaginar a Nara com 70 anos. Como é difícil pensar no Elvis com 77. E o Ayrton Senna na Stock Car, com 52 anos? Nem pensar.
Como seria o contestador John Lennon com 72 ? Creio que já teria separado (ou ela dele) da Yoko.
E o John Kennedy, com 95, sentado defronte uma lareira conversando com o irmão Bob, já entrado nos 87 ?
Com certeza não estariam falando da ex- exuberante Marylin Monroe, uma senhora já encarando os 86. Grande chance de estarem esperando a visita do Pastor Luther King, caminhando ainda esperto, com os seus 83.
Daria para aceitar o James Dean, com 81, fazendo uma ponta num desses seriados da TV ?
Difícil.

ER 

TARDINHA, NOITINHA

Por Vivina de Assis Viana
 
Era quando Sebastião e o patrão conversavam, todos os dias.
 — A gente já não pode mais se espantar com coisa nenhuma nesse mundo, compadre.
Na cozinha da fazenda, mesa de madeira, bancos também, chão de tijolos, fogão de lenha, paredes enfumaçadas, a cena se repetia, diariamente.
Diariamente, naquela hora lá chamada tardinha ou noitinha, hora que, na verdade, não é uma coisa nem outra, sendo as duas ao mesmo tempo, o Sebastião chegava.
Antes de atravessar um dos porões da construção antiga, entre o curral e o terreiro, e antes de subir os onze degraus da escada de pedra da cozinha, o Sebastião Garcia tossia. Bem alto.
— Preciso avisar que estou chegando, compadre. Assim, se alguém estiver conversando coisas que não posso ouvir, tem tempo de parar.
O compadre era meu pai, o patrão.
Os dois falavam do que conheciam: sol, lua, estrelas, chão, terra, mato, bicho, gente, água, chuva, raio, trovão, tempestade, enchente, cerração, geada, fumaça, fogo, incêndio, estrada, mata-burro, caminhão, jipe, trem, estação, trabalho.
Falavam também do que não conheciam, mas podiam imaginar: o mar, no Rio de Janeiro; as touradas, na Espanha; a Primeira Guerra Mundial, a Segunda; o Palácio do Catete, o da Alvorada.
As conversas dos dois, que todos podiam ouvir, esticando a tardinha, ou espichando-se pela noitinha, terminavam no tom resignado – quase filosófico – do empregado:
— Tá tudo muito difícil, compadre, mas, assim mesmo, tá bom. A gente tendo saúde, tá bom. O mundo revirou do avesso, a gente nem pode, mais, se espantar com o que acontece, mas tendo saúde, tá bom.
Se os dois não tivessem partido, sem volta, há muitos anos, em busca dos mares do Rio e das touradas de Madri, eu iria contar-lhes algumas histórias.
Se eu soubesse, se pudesse imaginar que mundos os dois habitam, em seus dias e noites eternos, eu lhes contaria algumas histórias destes nossos tempos de hoje. Deste nosso mundo, revirado pelo avesso. Cada vez mais.
Histórias corriqueiras, cotidianas, de gente que está na rua, esperando o ônibus: na calçada, conversando com um amigo; na fila do banco, na porta da escola, na entrada do hospital. No farol fechado.
Gente que, de repente, desaparece, silencia. Gente que, em um segundo, de repente, nunca mais.
Acho que os compadres se espantariam, sim.

Vivina de Assis Viana



INVESTIMENTO EM RECLAMES

Ninguém admite ter sido "levado no bico" por um "reclame" bem feito. Mas a mensagem fica fixada no nosso subconsciente e lá vamos nós. Estamos falando de produtos e não de políticos.
Segundo o Monitor Evolution do Ibope (deu na Folha), os gastos com publicidade em 2011 no Brasil, alcançaram R$ 88,3 bilhões.
É dinheiro que não acaba mais.
A TV aberta levou 53% do bolo, ou seja, R$ 46,3 bilhões.
Os jornais ficaram com 20% - R$ 17,2 bilhões 
A TV por assinatura abocanhou R$ 7,4 bilhões (a gente ainda paga a assinatura)
As revistas levaram R$ 7,2 bilhões.
O meio digital conseguiu R$ 5,4 bilhões.

A Casas Bahia continua na liderança com R$ 3,3 bilhões gastos com publicidade. A Unilever fica em segundo, com a Ambev em terceiro.

Se dessem a metade dos gastos em descontos, será que não venderiam mais ?

ER 

PELO MENOS UM !

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

SOB A LUZ DE VELAS

As mulheres, durante séculos, serviram de espelho aos homens por possuírem o poder mágico e delicioso de refletirem uma imagem do homem duas vezes maior que o natural.

Virgínia Woolf

PRÓXIMO LANÇAMENTO

DESFILE DE ESTRÉIA

Mais cedo ou mais tarde iria acontecer. Fui enviado ao supermercado acompanhado de uma sacolinha retornável.
Bonita sacolinha de linha, na cor verde.
Ficou difícil. Fui buscar um artigo de limpeza e como não consigo sair sem comprar algo comestível, ao colocar as compras na embalagem, conclui que sabão com presunto não combinam.
O presunto e o pão vieram na mão.
A partir do próximo dia 25 (aniversário da cidade), as pobres sacolinhas deixarão também de serem distribuídas em São Paulo.
Alguém vai comentar: Esse assunto de novo? Que saco !
Pois é, o jornal a Folha de S. Paulo, promoverá na segunda-feira, às 16:00 horas, no seu auditório, um debate sobre o fim do uso de sacolas plásticas no Estado de São Paulo.
Se estão dando tal importância para o assunto...
Em tempo, na terrinha foi regulamentada a Lei. Não entendi direito.
Concluindo o assunto sem preocupação do "politicamente incorreto":
Não me senti a vontade portando o aparato de transporte.
Aparência por demais delicada.

ER   

NADANDO DE BRAÇADA - 2

Do meu conhecimento, o melhor nadador de piscina, com técnica, tempos cronometrados e um baú de medalhas, da cidade, continua sendo o Gustavo Faria.
Mas sou do tempo em que na terrinha existia tão somente três piscinas e longe de estarem preparadas para competições. (na verdade creio que ainda não temos).
Tinha a do batalhão, a da Imbel e a (quase um tanque) do sítio do Sr. Ítalo Mandolesi, alí pelas bandas do bairro da Piedade.
Eram para poucos.
As primeiras caravelas itajubenses ainda não tinham desembarcado e tomado Ubatuba. Alguns frequentavam Caraguatatuba.
Tivemos grandes "piscinas naturais" na cidade:
"Poço da Pedra", no bairro do Porto Velho, o "Poço da Bombinha", próximo ao campo do Yuracan, o poço da "Popóta", no bairro da Avenida, próximo ao Asilo, o Poço da Prainha, no final da Rua Felipe Pizzuto, na Boa Vista e o famoso "Poço do Vasquinho", também na Boa Vista.
Piscina para a classe média (nós) surgiu quando da inauguração da Praça de Esportes. Lá estavam o Sr. Alvaro Mandolesi, o Roberto Lamoglia e o Califa.
O maior nadador de rio que conheci foi o Dadona, do bairro da Avenida (fomos companheiros no Estrela Azul).
Megulhador ? O "grande "Queixada", da Boa Vista, era imbatível.
Muitos nadavam pelados para não chegar em casa com o calção molhado. Era levar "cascudo" da mãe, na certa.
A grande dificuldade e diversão, quando dentro d´agua era desviar da enorme quantidade de "capitães" que desciam flutuando rio abaixo.
Os estilos eram bem definidos: braçada, rancão e cachorrinho, estes dois últimos para os principiantes.
Bons tempos.

ER