Antes que me torne um eremita completo, ocuparei este espaço para falar e discutir um pouco, com simplicidade, sobre a vida, com suas alegrias e tristezas. Pode ser que acabe falando comigo mesmo. Neste caso, pelo menos prevalecerá a minha opinião.
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
ANONYMOUS
Deu ontem no jornal espanhol El País.
Será que os nossos Anonymous participam do grupo?
Uma legião de internautas se mobiliza na rede. Se fazem chamar de Anonymous e dizem lutar pela transparência, pela liberdade de expressão e pelos direitos humanos. Não mostram a cara e nem tem líderes. É um movimento libertário.
Este o seu lema: "Somos uma legião, não perdoamos, não esquecemos, esperamos." Assim é como encerram seus comunicados. Este movimento sem líderes e sem portavozes, com voz porém sem cara. Ou melhor, com máscara do anarquista revolucionário de V de Vingança, novela que inspirou o filme protagonizado por Natalie Portman e Hugo Weaving em 2006. A´máscara foi convertida em símbolo do movimento.
"Não somos membros de nenhum grupo político, não somos políticos, somos ativistas. Nos ofenderíamos se nos ligassem a qualquer corrente política." Entender o universo Anonymous não é coisa fácil, o fenômeno é o perfeito reflexo de um mundo novo no qual vivemos, de uma nova sociedade que está nascendo a raiz da revolução digital.
Nem todos os membros dos Anonymous são hackers, a maioria são ciberativistas que participam de conversação online e, ocasionalmente, participam de protestos nas ruas.
Qualquer Anonymous que queira se destacar é afastado pelo resto da comunidade. Assim ocorreu em Londres em dezembro com Coldblood, um Anonymous que deu a cara perante a imprensa nos dias do processo de Assange (Wikileaks): "Coldblood foi condenado ao ostracismo", confirma Hamster, membro dos Anonymous desde 2008.
Na semana passada os Anonymous colocaram em colapso os sites oficiais da Tunísia. Na última segunda-feira tomaram via web, o partido irlandês Fine Gael. Atacaram a SGAE e os partidos políticos espanhóis. Há um mês atacaram o Visa, Mastercard, PayPal e Amazon, devido a posição tomada por essas empresas, com relação ao Wikileaks.
Querem saber mais:
ER
NA ERA DO RÁDIO
Célia Rennó comentou:
Quando leio alguma coisa a respeito de rádio, me inquieto muito porque é um ambiente em que transitei por bom tempo, convivendo com todas as dores e delícias de mexer em caixas de vespas. Tenho ouvido um pouco do que se fala nas rádios de Itajubá e, sem entrar nos conteúdos abordados, penso que está faltando um pouco de 'sobriedade' no trato da informação. Não achei palavra mais adequada, mas acho que sobra muita coisa e o prejuízo é da informação e, por consequência, de quem quer ouvi-la. Sobram palpites, sobram preconceitos, sobram ironias, sobram subjetividades e outras coisas mais. É possível sim fazer rádio sem parecer ser um partido político.
Célia Rennó
Blog: Também sempre gostei muito de rádio. Quando no carro ligo primeiro o rádio. Quando no computador fico direto sintonizado em uma rádio. Concordo inteiramente com a Célia Rennó, que conhece bem a área.
Defender causas onde podem interesses, mesmo de direito, embutidos, e assumir posições políticas, deixam os ouvintes incomodados. A utilização de ironia e brincadeiras em excesso muitas vezes levam o ouvinte a se postar favoravelmente do lado do criticado.
O próprio "viver é perigoso" que é de acesso muito restrito, muitas vezes tem dificuldade de estabelecer limites para a utilização desses expedientes, que acabam sendo armas.
De todas as emissoras locais, creio que a Futura FM é a que tem mais condições de se adequar a um estilo que agrade aos seus ouvintes, que são muitos pelo Brasil todo, graças a era digital.
Estamos nos referindo aos noticiários.
ER
BELAS ARTES
Está marcado para o dia 27 próximo, o fechamento do Cine Belas Artes em São Paulo (Rua da Consolação). É uma tristeza. São cinco salas. Começou a funcionar em 1943 com o nome de Cine Ritz. O proprietário do prédio não quer renovar o contrato de locação. Vai alugá-lo para uma loja.
Esta carta de um leitor (João Ernesto Marino Neto) foi publicada ontem na Folha. Muito interessante.
"No ano passado, resolvi fazer uma surpresa para minha mulher e aluguei uma sala do Cine Belas Artes para uma sessão privada para apenas nós dois. Assistimos ao mesmo filme que vimos no nosso primeiro encontro, há 25 anos. O Belas Artes foi o único cinema que atendeu ao meu pedido. Sei que não fez isso não apenas pelo dinheiro (que não foi pouco), mas sim pelo amor que tem pela arte. Sei que o cinema Belas Artes tem muito mais valor para a sociedade do que qualquer loja que possa ser construída em seu lugar. Viva o Belas Artes"
Fico pensando: Toda a minha geração não terá dificuldade em comemorar os marcantes aniversários de casamento, com a esposa, no cinema do primeiro filme juntos.
Poderemos levar o filme em DVD, sentar num sofá do Magazine Luiza (ex-Alvorada) ou nas Lojas Pernambucanas ( ex- Cine Presidente).
Pipoca pode. Beijinhos, nem pensar.
Se foi no Apollo, é só enfrentar uma fila da loteca (ex-Cine Apollo), ou se no Paratodos, fazer uma encomenda na Gráfica 30 minutos (ex-Cine Paratodos) .
Em setembro passarei um bom tempo no Magazine Luiza. Espero.
ER
MEDICINA E FELICIDADE
Não deixem de ler. Chega a emocionar.
Publicado ontem na Folha
Dr.Miguel Srougi, é médico pós-graduado em urologia pela Harvard Medical School (EUA), professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP e presidente do Conselho do Instituto Criança é Vida:
A medicina nos oferece um privilégio sem paralelo na existência humana: a chance de aliviar o sofrimento e de resgatar seres para a vida. A sensação proporcionada por esses momentos é arrebatadora.
E isso acontece no cotidiano da vida médica. Esse processo se insere no conceito de felicidade plena, cuja melhor definição roubei da telinha despretensiosa de meu computador. Li e concordei que felicidade é um estado de contentamento com o que somos, é viver num "continuum" de bem-estar físico, mental e afetivo. Nada material.
Contudo, a vida me ensinou que, para atingir esse estado de graça, mesmo usufruindo de todo o bem-estar, precisamos estar cercados por pessoas felizes. O médico, como ninguém, tem a oportunidade de criar a felicidade no seu entorno.
Por essa razão, para pacificar a alma, os médicos não necessitam apenas da ilustração para curar, mas têm que ser dotados de solidariedade e de compaixão, têm que se postar em defesa dos seus pacientes e proteger o seu entorno, como guardiães do corpo e da alma.
Infelizmente, os momentos de felicidade não se perenizam, porque a profissão médica é frequentemente açodada por imperfeições da natureza humana e pelos efeitos de uma sociedade injusta e desigual.
Profissão que exige o comprometimento pessoal permanente, a separação da família e a convivência com o sofrimento.
Profissão que, às vezes, se acompanha de incompreensões indevidas da sociedade, que nem sempre reconhece as limitações da medicina ou a existência de fatos inexoráveis que envolvem a existência humana, como a morte implacável, a decadência física pelo passar dos anos ou doenças sem cura.
Profissão em que seus principais protagonistas, os médicos, são asfixiados por um sistema de saúde pública indigente, perdulário e injusto, gerido por um governo central insensível, que foi capaz de pagar, em 2010, cerca de R$ 180 bilhões da riqueza nacional em juros e destinar só R$ 55 bilhões para financiar toda a saúde do povo brasileiro.
Governantes incapazes de compreender que sem saúde não existem seres livres. Profissão em que seus membros são acuados pela violência e afrontados por salários incapazes de propiciar vida digna, oprimidos por entidades privadas de assistência, que cerceiam sua autonomia e impõem restrições perigosas às ações médicas. Enfim, profissão que sobrevive pelos seus encantos incontestáveis, mas também porque é conduzida por seres que têm no estoicismo uma de suas marcas incomparáveis.
Como atenuar esses aspectos menos inebriantes da profissão?
Não tenho dúvidas: expondo honestamente as limitações da medicina e dos seus profissionais, frágeis como os outros seres. Mais do que isso, denunciando o apequenamento daqueles que nos dirigem, com a dignidade que a posição de médico nos confere.
Sem a vergonha de protestar, de espernear, usando o mesmo idealismo que todos exibiam quando ingressaram na universidade. Fazendo brotar na sociedade a consciência crítica e os sentimentos da cidadania e da indignação.
Os médicos devem ser modelos de comportamento, devem aprofundar as relações humanas e devem exercer a medicina na sua dimensão mais sublime. Mas também devem reagir, demonstrar indignação, impregnar os que vêm depois com os sentimentos da consciência crítica e da cidadania.
Os médicos devem se postar firmemente em defesa dos direitos humanos e contra as indecências, lembrando o arcebispo Desmond Tutu: "Se ficarmos neutros numa situação de injustiça, teremos escolhido o lado do opressor".
Miguel Srougi
domingo, 16 de janeiro de 2011
TEMPOS ATUAIS
Do Valter Bianchi
Entre inundações, secas, epidemias, escassez de alimentos e altas de preços, o mundo parece estar começando a girar fora de seu eixo.Esta transformação é causada em grande parte pelo contragolpe da natureza diante do mau comportamento humano. A questão a ser analisada é se a humanidade segue inevitavelmente em direção a uma cascata de situações catastróficas ou se há possíveis meios para evitar que nos precipitemos nela. Felizmente, nenhum desses problemas é impossível de ser detido, mas parece que estamos cada vez mais perto da beira do ABISMO. A natureza sabe como atuar e por isso reage a agressões do ser humano. Se formos capazes de vislumbrar pedaços de céu azul em meio às nuvens de tempestade que agora se juntam no horizonte, poderemos enfrentar com sucesso esses ameaçadores tempos turbulentos. Só precisamos saber fazer o uso correto do solo e não mais agredirmos a Mãe Natureza.
Valter Bianchi
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