Translate

sábado, 30 de maio de 2026

MOÇA BONITA

Marília e os filhos Marcelo e Eduardo

Marília Guimarães, nasceu em ouro Preto em 1945. Estudou em colégio de freiras até os 18 anos, casou-se com um militante da Vanguarda Popular Revolucionária.

Marília, também militante na guerrilha, com 24 anos, trabalhava numa escola no subúrbio do Rio de Janeiro e usava o mimeógrafo da escola para imprimir panfletos considerados subversivos. Com a prisão de seu marido, Fausto Machado Freire, ela também passou a correr riscos, já na clandestinidade e procurada, a organização VAR-Palmares decidiu tirá-la do Brasil e enviá-la para Cuba com os filhos, Marcelo e Eduardo, então com 3 e 2 anos.

Marilia vivia há um ano na clandestinidade escondida em Minas Gerais, dormindo cada noite em um lugar diferente para despistar os militares. Foi de ônibus para Porto Alegre com o filhos e de lá para Montevidéu.

A jovem professora fazia parte de um grupo de seis guerrilheiros - ou terroristas, como preferia a ditadura militar vigente - de um movimento de esquerda radical contrário ao regime. O objetivo dos seis era sequestrar o avião Caravelle da empresa Cruzeiro do Sul, desviando do seu destino, que era Porto Alegre e levá-lo para Cuba, onde Marília e os dois filhos poderiam viver em liberdade.

O sequestro aconteceu no dia 1º de janeiro de 1970, quando com seus companheiros embarcou segurando os dois filhos, Marcelo e Eduardo, então com 3 e 2 anos carregada de bolsas com fraldas, mamadeiras e brinquedos e seis revólveres sob o vestido.

O grupo de militantes, do qual ela fazia parte, tomou o controle do voo 114 e obrigou o piloto a desviar para Havana, em Cuba. Tinha início, naquele dia 1º de janeiro de 1970, o mais longo sequestro de um avião realizado durante o regime militar. O vôo durou 47 horas, com escala em Lima e no Panamá.

Marília Guimarães viveu em Cuba com os filhos por dez anos, onde estudou medicina, até a Anistia; quando voltou ao Brasil, escreveu o livro Nesta terra, neste instante contando suas aventuras.

Viver é Perigoso

Nenhum comentário: