O (novo) rico de hoje, para se sentir rico de verdade, precisa de testemunhas. Precisa de luz, palco e exagero. Aluga palácios na Europa para festas, coloca superiates para transportar convidados — celebridades VIP, naturalmente — e mobiliza drones para registrar o próprio deslumbramento. Como se percebe, esse tipo de abastado nunca se basta.
É tão romântico que gasta milhões de dólares para fazer um pedido de casamento diante de uma plateia de puxa-sacos. O currículo patrimonial também costuma ser previsível. Cobertura com piscina suspensa, casa de 2.000 metros quadrados em Miami, um pedaço de praia em Trancoso, meia dúzia de jatinhos privados, além de outras necessidades essenciais de sobrevivência.
O detalhe principal que transforma todo esse exagero em uma obra-prima do extremo mau gosto é quando a conta é paga com o dinheiro dos outros.
Dá pra ser chique com menos.
Um bilionário autêntico mora num apartamento confortável, faz as suas viagens sem anunciar ao mundo e não volta com oito malas. Não precisa de helicóptero para ir à esquina. Toma seu café na padaria sem que ninguém saiba quem é. E paga as contas com o próprio dinheiro. Rico é quem dorme tranquilo. Essa é a maior das riquezas.
O romantismo elegante cabe no ouvido da pessoa amada. Pode acontecer no quintal, na praia, no metrô — sem drones. Ser elegante é repetir roupas, é escolher o que guardar, escolher com quem ficar. Elegância, no fundo, é isso: tirar o excesso para que o essencial apareça.
Becky S. Korich
Viver é Perigoso

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