Elizabeth Eaton Converse, simplesmente, Connie Converse. Americana nascida em Hampshire em 1924. Cantora, compositora, acadêmica, escritora e editora. Filha do meio em uma família batista rigorosa. Seu pai era pastor.
Foi também, chargista, ilustradora, poeta, ativista (participou de manifestações pelos direitos das mulheres). Acredita-se que tenha sido comunista e gay, mas não se sabe com certeza.
Ela atuou na cidade de Nova York na década de 1950. Connie começou a compor ainda nos anos 1940. É considerada pioneira no folk autoral, de voz e violão, anos do formato surgir no Greenwich Village, em Nova Iorque, numa cena badalada, de que Bob Dylan fez parte no início dos anos 1960.
Porém, sua única apresentação pública aconteceu, em 1954, num programa de Walter Cronkite, um dos âncoras mais célebres do jornalismo televisivo dos EUA. Com exceção da ida ao programa de Walter Cronkite, Connie Converse nunca fez shows, tampouco gravou discos, e nem foi gravada por terceiros.
Ela foi extremamente discreta em sua vida pessoal, apesar de boêmia, fumar e beber em demasia.
Um mistério da música popular. Escreveram sobre Connie: “De certa forma, ela é um fantasma. É como se em sua inteira existência tenha vivido como uma mulher invisível, que foi capaz de ver o futuro nos dando estas oferendas, pensando, escrevendo e compondo em formatos que são tão empregados hoje, mas que não eram nada usuais nos anos 1950."
Então, em 1974, aos 50 anos, decidiu que o mundo não a queria, nem ela o queria. E optou por ir embora. Não sabemos o que lhe aconteceu. Seu corpo nunca foi encontrado. Seu carro nunca foi achado. Deixou a seguinte carta:
"A todos que perguntarem se eu estiver desaprecida por muito tempo, deixem-me ir, deixem-me em paz se eu puder, deixem-me partir se eu puder. Há alguns anos, tenho sido objeto de carinho e preocupação por parte de meus parentes e muitos amigos. Recebi deles não apenas apoio financeiro, mas também espiritual; fiz diversas tentativas, nesta situação favorável, para me reintegrar ao mundo. Falhei. Comecei a perceber que as minhas novas incapacidades pessoais continuavam a persistir teimosamente. Lutei, sim; mas elas resistiram.
...Para sobreviver a tudo isso, imagino que terei que vagar. Talvez eu sobreviva por alguns anos - quem sabe? Mas você entende que preciso fazer isso sem nenhum apoio. A sociedade humana me fascina, me impressiona e me enche de tristeza e alegria; simplesmente não consigo encontrar meu lugar nela. Então, por favor, deixem-me ir; e, por favor, aceitem meus agradecimentos por aqueles momentos felizes... Estou em dívida com todos."
Connie Converse
Viver é Perigoso

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