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sexta-feira, 27 de março de 2026

ANA MARINHO

 


Como diz Edson Riera - viver é perigoso..... E eu acrescento - viver como mulher é perigosíssimo...

Há momentos em que o mundo parece um terreno ferido, onde atitudes duras brotam como espinhos e ferem sem pedir licença. E, ainda assim, é no meio desse chão árido que nascem vozes como a sua — sementes de consciência, coragem e mudança.

Nós sabemos… porque vivemos.

Muitas de nós crescemos aprendendo a silenciar o que doía. Engolíamos o medo como quem engole pedra, dia após dia. Quantas vezes o abuso não vinha disfarçado de “normal”? Quantas vezes nos diminuíram — no trabalho, na rua, dentro de casa — e seguimos, porque era preciso sobreviver, sustentar, continuar?

Eu mesma, quando paro para olhar para trás, vejo quantas vezes fui ferida sem nem nomear a ferida. A misoginia não gritava — ela sussurrava, se infiltrava, moldava salários, oportunidades, espaços. Exaltava o masculino como regra, e nos colocava como exceção.

Mas algo está mudando.

Hoje, nossas palavras já não aceitam mais o silêncio como destino. Elas são como rios que transbordam — e quando transbordam, levam embora estruturas antigas, injustas e cruéis.
E é assim que se combate: não aceitando, não normalizando, não se calando. É juntando vozes até que o eco se torne impossível de ignorar.

E àqueles que ainda insistem em sustentar esse discurso pequeno, como Nikolas Ferreira, fica uma lembrança firme:

O tempo da misoginia travestida de opinião está acabando.
Porque onde antes havia silêncio, hoje há consciência.
E onde há consciência… não há mais espaço para o retrocesso.

Ana Marinho

Viver é Perigoso

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