Robert Motherwell (1915/1991) foi um dos expressionistas abstratos da Escola de Nova York e, como alguns de seus contemporâneos, atribuía grande importância ao automatismo — uma técnica surrealista de acesso ao subconsciente —, do qual emergiam cores e formas, ritmos e intervalos.
No caso da obra deste artista, essas formas negras características quase sempre apareciam, em algum lugar entre a geometria e o gesto, quase como caligrafia. Repetições. Faziam parte de seu vocabulário pictórico. E eram enormes, imensas, algumas com quase cinco metros de comprimento.
Motherwell criou diversas Elegias à República Espanhola (mais de 100, entre 1948 e 1967).
A que você vê na tela é uma de suas últimas obras. O artista queria homenagear uma morte terrível que não deveria ser esquecida, embora as imagens também sejam metáforas gerais para o contraste entre a vida e a morte, e sua inter-relação.
Quando jovem, ele ouviu falar da Guerra Civil Espanhola em uma manifestação em São Francisco. Tinha 22 anos e foi profundamente impactado pelo horrível conflito fratricida, que serviria tanto como premonição quanto como campo de provas para os grandes conflitos ideológicos que marcariam o século XX.
Motherwell usou isso como uma força motriz moral para suas explorações artísticas, criando, em última análise, uma canção fúnebre para as coisas que importam, uma canção visual. É impressionante como a pintura abstrata e a música podem, por vezes, se entrelaçar de forma tão íntima.
ThoughtCo
Viver é Perigoso

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