A medicina que vi na Índia: o futuro chegou antes de nós - Ludhmila Hajjar
A Índia não está apenas modernizando seu sistema de saúde. Ela está fazendo algo mais profundo: está mudando o conceito de hospital.
O modelo tradicional de assistência médica, sustentado por estruturas administrativas gigantescas, burocracias internas e fluxos lentos, está sendo substituído por algo radicalmente diferente: hospitais digitais, operando com inteligência de dados em tempo real, automação de processos e integração plena entre tecnologia e cuidado. Agendamento, autorizações internas, fluxos laboratoriais, gestão de leitos, prescrição, rastreabilidade de medicamentos, controle de estoque e monitoramento clínico são comandados por sistemas integrados, acessíveis na palma da mão. Em muitos setores, o aplicativo substituiu o balcão. O dado substituiu o papel. A eficiência substituiu o improviso.
Talvez o ponto mais revelador tenha sido outro: a presença maciça de engenheiros dentro dos hospitais. Não como consultores ocasionais, mas como parte estrutural do funcionamento institucional. Há equipes inteiras, muitas vezes centenas de profissionais, dedicadas diariamente a criar soluções próprias, adaptar sistemas, desenvolver aplicativos internos e ajustar algoritmos.
A sensação é clara: estamos diante de uma transformação comparável à revolução industrial, só que aplicada à saúde. Em três anos, tudo será diferente. Em cinco, será irreconhecível.
Índia e China estão construindo, na prática, o hospital do futuro, e o Brasil tem condições de se conectar a essa transformação com inteligência e protagonismo.
É nesse contexto que nasce o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI), projeto pioneiro que busca colocar o Brasil no centro dessa transformação. O ITMI representa uma escolha estratégica: construir um novo modelo de hospital público, digital e integrado, capaz de operar em tempo real com eficiência e segurança. O ITMI será o primeiro hospital inteligente do País, integrando tecnologias como inteligência artificial, internet das coisas, big data, telessaúde e sistematização de processos.
A iniciativa é uma parceria entre USP, Governo de São Paulo, Ministério da Saúde e o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), também conhecido como Banco do Brics, para transformar o atendimento de alta complexidade no Brasil. O projeto contará com 800 leitos de referência em emergência clínica e deve promover uma redução substancial no tempo de diagnóstico e tratamento das centenas de casos encaminhados diariamente ao HC.
O novo estabelecimento será construído em terreno doado pelo Governo de São Paulo, localizado ao lado do HC, onde atualmente funciona a sede da Secretaria Estadual da Saúde. O investimento total alcança quase R$ 2 bilhões, com previsão de três anos para conclusão das obras e início das operações.
A tecnologia não substitui o médico: ela devolve a ele o que foi roubado ao longo dos anos; tempo para pensar, decidir e cuidar.
Viver é Perigoso

2 comentários:
O *comércio* q acontece com médicos nunca terminará virou um grande negócio....Um absurdo os custos de consultas...e tambem o q ganham fazendo plantões...absurdo.
Tomara q mude...não acredito.
E os preços dos remédios?
Tamu fu
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