Há algo rasgando o meu peito como um tecido antigo que já não suporta mais remendos.
Vejo dois homens — Benjamin Netanyahu e Donald Trump — caminhando pelos últimos corredores da própria história… e, ainda assim, carregando nas mãos não memórias, não arrependimentos, mas fósforos acesos.
Eles já provaram de tudo o que a vida oferece. Sentaram-se à mesa farta do mundo. Dormiram sob tetos seguros enquanto tantos dormiam sob o medo. Foram aplaudidos, protegidos, elevados como se fossem maiores que o próprio tempo.
E agora… quando o natural seria o silêncio sereno de quem se despede… escolhem o estrondo.
É como se dois crepúsculos se recusassem a virar noite — e, por isso, resolvessem incendiar o céu inteiro.
Há poucos dias, lembrávamos uma história que atravessa séculos — a de Jesus Cristo, o Filho de Deus que aceitou a morte… não por orgulho, não por poder… mas por amor. Aceitou o fim para que outros tivessem vida.
E hoje, o que vemos?
Homens que não aceitam o fim… e por isso distribuem mortes como se fossem ordens banais. Como se vidas fossem números. Como se crianças fossem sombras descartáveis.
Milhares. Milhões. Sonhos que nem chegaram a aprender o próprio nome… sendo apagados.
E o mundo? Ah… o mundo assiste.
Como um teatro silencioso onde a plateia sabe que o palco está pegando fogo — mas continua aplaudindo educadamente entre uma tragédia e outra.
Instituições que deveriam ser muralhas… viraram cortinas frágeis. A diplomacia virou sussurro. A coragem virou ausência.
E eu… eu sou só uma humana.
Pequena diante de tudo isso. Com mãos que não alcançam botões, nem decretos, nem exércitos. Mas sou filha de Deus. E dentro de mim existe algo que grita… algo que não aceita. Não consigo me imaginar em uma guerra. Não consigo aceitar que alguém consiga.
E então eu olho para o chão onde piso… Brasil.
Essa terra imperfeita, mas ainda doce. Ainda acolhedora. Ainda capaz de abraçar, de cantar, de dividir o pão.
E agradeço. Com um nó na garganta, eu agradeço.
Porque, enquanto o mundo treme… ainda existem lugares onde a vida insiste em florescer.
Mas que dor… que dor profunda, pesada, quase sagrada de tão grande. É como se o planeta inteiro estivesse ajoelhado — não em oração… mas em exaustão. O que estamos vendo não é política. Não é estratégia. Não é defesa.
É a insanidade vestida de poder. É o ego transformado em arma. É a velhice que deveria ensinar sabedoria… escolhendo espalhar ruína.
E o mais cruel de tudo?
Eles partirão. Como todos partem. Mas deixarão atrás de si um rastro de cinzas que não caberá em nenhuma lápide.
E nós… nós ficaremos para contar os mortos, reconstruir o impossível e tentar explicar às crianças por que o mundo, que deveria protegê-las, decidiu traí-las.
Se isso continuar…não será o barulho das bombas que marcará a nossa vergonha, mas o silêncio dos que podiam impedir — e não impediram.
O mundo hoje não sangra apenas pelos feridos.
Ele sangra pela ausência de consciência. Pela falência da compaixão. Pela escolha repetida da destruição quando ainda havia tempo de escolher o amor.
E essa dor…essa dor não grita. Ela ecoa. Como um sino rachado no coração da humanidade, anunciando não apenas a guerra…mas a falência da alma humana.
Rezemos...
Ana Marinho
Viver é Perigoso
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