quinta-feira, 9 de abril de 2026

A VEZ DE POÇOS DE CALDAS



Desde ontem e até spabado (11), Poços de Caldas se transformou na capital simbólica de Minas Gerais. Durante esse período, o governador Mateus Simões cumpre agenda institucional na cidade.

A primeira cidade do Sul de Minas a receber a administração do Estado foi Pouso Alegre. Na oportunidade, o governador anunciou a construção de dois novos colégios Tiradentes, rede de ensino militar mineira, cuja maioria das vagas (50%) é reservada para filhos e netos de servidores da Polícia Militar.

Os colégios serão instalados nas cidades de Extrema e Itajubá.

Pois é...

Viver é Perigoso

ANA MARINHO




Há algo rasgando o meu peito como um tecido antigo que já não suporta mais remendos.

Vejo dois homens — Benjamin Netanyahu e Donald Trump — caminhando pelos últimos corredores da própria história… e, ainda assim, carregando nas mãos não memórias, não arrependimentos, mas fósforos acesos.

Eles já provaram de tudo o que a vida oferece. Sentaram-se à mesa farta do mundo. Dormiram sob tetos seguros enquanto tantos dormiam sob o medo. Foram aplaudidos, protegidos, elevados como se fossem maiores que o próprio tempo.

E agora… quando o natural seria o silêncio sereno de quem se despede… escolhem o estrondo.

É como se dois crepúsculos se recusassem a virar noite — e, por isso, resolvessem incendiar o céu inteiro.

Há poucos dias, lembrávamos uma história que atravessa séculos — a de Jesus Cristo, o Filho de Deus que aceitou a morte… não por orgulho, não por poder… mas por amor. Aceitou o fim para que outros tivessem vida.

E hoje, o que vemos?

Homens que não aceitam o fim… e por isso distribuem mortes como se fossem ordens banais. Como se vidas fossem números. Como se crianças fossem sombras descartáveis.
Milhares. Milhões. Sonhos que nem chegaram a aprender o próprio nome… sendo apagados.

E o mundo? Ah… o mundo assiste.

Como um teatro silencioso onde a plateia sabe que o palco está pegando fogo — mas continua aplaudindo educadamente entre uma tragédia e outra.

Instituições que deveriam ser muralhas… viraram cortinas frágeis. A diplomacia virou sussurro. A coragem virou ausência.

E eu… eu sou só uma humana.

Pequena diante de tudo isso. Com mãos que não alcançam botões, nem decretos, nem exércitos. Mas sou filha de Deus. E dentro de mim existe algo que grita… algo que não aceita. Não consigo me imaginar em uma guerra. Não consigo aceitar que alguém consiga.

E então eu olho para o chão onde piso… Brasil.

Essa terra imperfeita, mas ainda doce. Ainda acolhedora. Ainda capaz de abraçar, de cantar, de dividir o pão.

E agradeço. Com um nó na garganta, eu agradeço.

Porque, enquanto o mundo treme… ainda existem lugares onde a vida insiste em florescer.

Mas que dor… que dor profunda, pesada, quase sagrada de tão grande. É como se o planeta inteiro estivesse ajoelhado — não em oração… mas em exaustão. O que estamos vendo não é política. Não é estratégia. Não é defesa.

É a insanidade vestida de poder. É o ego transformado em arma. É a velhice que deveria ensinar sabedoria… escolhendo espalhar ruína.

E o mais cruel de tudo?

Eles partirão. Como todos partem. Mas deixarão atrás de si um rastro de cinzas que não caberá em nenhuma lápide.

E nós… nós ficaremos para contar os mortos, reconstruir o impossível e tentar explicar às crianças por que o mundo, que deveria protegê-las, decidiu traí-las.

Se isso continuar…não será o barulho das bombas que marcará a nossa vergonha, mas o silêncio dos que podiam impedir — e não impediram.

O mundo hoje não sangra apenas pelos feridos.

Ele sangra pela ausência de consciência. Pela falência da compaixão. Pela escolha repetida da destruição quando ainda havia tempo de escolher o amor.

E essa dor…essa dor não grita. Ela ecoa. Como um sino rachado no coração da humanidade, anunciando não apenas a guerra…mas a falência da alma humana.

Rezemos...

Ana Marinho

Viver é Perigoso

CHICO NA ILHA

 


Chico Buarque, um dos maiores artistas do Brasil, viajou a Cuba pela primeira vez em 34 anos a convite do cantor e compositor cubano Silvio Rodríguez.

Em meio ao endurecimento das sanções contra a ilha e ao agravamento da crise econômica e energética, é uma demonstração de solidariedade ao povo cubano e ao país.

Hoje (9), gravarão juntos, em um estúdio em Havana, uma das canções mais famosas de Rodríguez, "Sueño con serpientes" (Sonho com Serpentes). 

Amigos há meio século, a nova versão desse clássico de Silvio Rodríguez será lançada em breve nas plataformas de streaming, anunciaram.

A visita fortalece os laços entre duas figuras centrais da música latino-americana, historicamente ligadas por afinidades estéticas e envolvimento político na região.

El País

Viver é Perigoso